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sábado, 7 de março de 2026

O futuro perdido de Legend of Lara Croft

O último episódio da segunda temporada de The Legend of Lara Croft fica em aberto, com um gancho inexplicado: uma garota chamada Penelope Stone (nome revelado apenas pelos créditos), claramente tem um passado mal-resolvido e um ardente desejo de vingança contra Lara Croft. Ela se encontra com Fig, em algum lugar no Egito, e promete que sabe exatamente como lidar com a aventureira...

Agora, quem é Penelope Stone? Provavelmente, nunca saberemos.
 
Em setembro do ano passado, quando anunciaram a data de estreia da segunda temporada, também informaram que seria a última. A Netflix havia encomendado duas temporadas originalmente, ainda em 2021, mas não renovou a série para uma terceira. O motivo para isso não é (e nem deveria ser) público, mas podemos teorizar e especular muitas coisas.
 
No seu podcast, Act Two, a roteirista e produtora Tasha Huo afirma que os roteiros para as duas temporadas foram escritos consecutivamente, sem intervalos entre uma e outra, e no decorrer dos anos seguintes foram feitos os ajustes conforme recebiam retorno dos times externos, de ilustração e de animação. Ela salienta que a equipe está orgulhosa do trabalho realizado na série, mas admite que não é o sucesso estrondoso que todos gostariam que tivesse sido.

A realidade é que nosso mundo é regido por dinheiro. Como a série não emplacou, e a audiência ficou bem abaixo do previsto, após quase cinco anos em desenvolvimento a Netflix não teve motivos para financiar uma terceira temporada. Além disso, em 2023 a Amazon firmou um contrato para desenvolver aventuras de Tomb Raider em mídias diferentes, inclusive uma série em live-action. 

Esse contrato é o pingo de esperança que nos resta. Existem casos de produções canceladas pela Netflix que foram retomadas ou revividas por serviços concorrentes, e essa parceria com a Amazon, em teoria, poderia dar continuidade às aventuras animadas de Lara Croft — não obrigatoriamente com a mesma equipe criativa por trás de LOLC, caso você seja daqueles que torceram o nariz para a série. Apenas o tempo poderá dizer o que o futuro de nossa franquia nos reserva.

Existem, sim, muitas histórias a serem contadas nesse universo. Uma infinitude, aliás.

quarta-feira, 4 de março de 2026

The Bringer of Death

"Acredito que somos mais do que a nossa dor."
E chegamos ao episódio final de The Legend of Lara Croft. Em The Bringer of Death, Exu finalmente faz as pazes consigo mesmo e veste sua máscara durante o festival. Com a possibilidade de abrir portais de teleporte, ele leva Sam e Lara para outro lugar, sem saber que Fig estava por perto. Testemunhando o poder, Fig confirma para Mila que o homem é um orixá. 
 
Lara relembra que Exu não era temido por ser um simples orixá das encruzilhadas, zelando pelos viajantes, e ele esclarece sua reputação: no passado, outros orixás se uniram para destronar Olodumarê, mas Exu defendeu seu pai e foi gratificado com a benção de replicar e multiplicar os poderes de outros orixás. Dessa forma, ele poderia impedir qualquer orixá que ficasse poderoso demais, e, da mesma forma, poderia expandir o alcance de qualquer poder caso necessário.
 
Ao contrário de Exu, Lara estava bem ciente que Fig esteve no encalço deles o tempo todo. Em preparação para uma nova defesa, eles retornam para a cidade perdida, onde os residentes passam a curvar-se perante o orixá reformado. Zip informa que satélites captaram o avião de Mila em rota, então elas precisam agilizar a estratégia. Os residentes se preparam para guerra, e oferecem para Lara e Sam armaduras de olumo.

Quando Mila chega ao local, ela faz um discurso que atinge o ego de Exu, acusando ele de ser um covarde e falando que a história está fadada a se repetir. Ele recua momentaneamente por um portal, sem maiores explicações, e Lara então solta o verbo contra Mila. A milionária afirma que Lara é uma pessoa incapaz de confiar em outras pessoas, e apenas engana seus próprios amigos. Nesse momento, Exu retorna, com Iemanjá e Taiwo, e Lara usa esse retorno como prova para refutar o julgamento de Mila.
 


Eles recuam para outra área da cidade onde Exu elabora um plano para reaver as máscaras sob posse de Mila. Durante um conflito épico, com coisas incríveis como Exu finalmente transformando-se numa galinha e Lara dando um grito de guerra em iorubá, Mila é tomada por uma fúria ensandecedora e seus poderes atingem até mesmo seus aliados. A ofensiva coletiva dos orixás é excelente, e, com a amplificação dos poderes providenciada por Exu, Mila finalmente encontra seu merecido fim. Exu agradece a confiança que as garotas depositaram nele nesse período, enquanto a população celebra a vitória, e então as teleporta de volta para a Mansão Croft. 
 
Mais tarde, enquanto Lara expõe a armadura de omolu que recebeu dos locais, ela recebe uma ligação de Jonah dizendo que talvez a mansão esteja sendo roubada. Lara havia enviado para Camilla as coordenadas de Mehrak, que é preso e tem sua coleção apreendida — e Eva, curadora de artefatos da guilda de Alexandria (Living Midnight), fala que os artefatos serão devidamente repatriados, bem como a generosa doação que Lara fez da coleção de seu pai.
 
Nas cenas de encerramento, vemos Exu escalando até o topo de uma montanha com as máscaras dos orixás mortos para conferir com seu pai; Olodumarê dissolve as máscaras e fala que é hora de reconstruir. E, em outro momento, no Egito, Fig se encontra com uma jovem vingativa e obcecada por Lara Croft, que não apenas diz que sabia que Mila não daria conta do recado mas também afirma que ela, sim, sabe como lidar com a aventureira...
 
 
Uma única observação, que talvez não se qualifique como um easter egg, mas enfim, vou deixar aqui registrada. Quando Zip informa que vai visitar a África, para visitar locais recomendados por Exu, Abby entrega uma caixa de lanches da Pickled Shortbread Café — o restaurante que ela e Jonah inauguraram na primeira temporada. 
 
E, ah, essa não é a primeira vez que Lara se desfez da coleção do grande Richard Croft...

[ * * * ]

Com a temporada encerrada, vou agora compartilhar comentários e opiniões mais pessoais sobre a temporada, bem como a série, de forma mais geral. Se você é leitor do blog Raider Daze, já deve estar cansado de saber. Caso contrário, vou repetir mais uma vez: sou um fanboy facilmente impressionável, citando as exatas palavras que usaram para me descrever (e que perderam qualquer conotação negativa que um dia já tiveram pois agora são minhas).
 

segunda-feira, 2 de março de 2026

The Breaking of the Land

"Eu poderia escrever um tomo sobre como afastar pessoas."
O episódio The Breaking of the Land finalmente nos dá o contexto que faltava sobre Exu. No início, durante a cerimônia de sepultamento de Obaluaê, cujo corpo é jogado ao mar em direção ao templo de Nanã, ele fala que orixás são amaldiçoados, condenados a uma existência de dor e sofrimento.

Lara e Sam não conseguem fazer o paralelo do que Chartreuse havia dito, no empório místico, onde Exu era retratado como alguém perigoso e terrível com o homem que tem acompanhado elas, mas Lara insiste que, de alguma forma, é ele quem pode impedir Mila. Ele então diz que sua máscara está em uma cidade perdida (em um local não especificado).

Apático, ele é levado até a cidade. Logo na entrada, vê que uma efígie sua foi vandalizada. Quando os residentes reconhecem o homem, ele rapidamente se encontra sobrecarregado de emoções e memórias do passado e cai, arrependido, aos pés de uma velha anciã. Ela simplesmente o acalma, com um abraço, e deseja boas-vindas ao trio.
 
Deixando um pouco sua introversão de lado, Lara dança junto aos cidadãos. Ela explana para Sam que é a preservação desses costumes locais e de povos felizes que faz com que o mundo mereça ser protegido. Exu, distante, continua indiferente, porém. A cidade conseguiu se manter sozinha, desde que ele partiu, usando vestimentas de olumo, forjada a partir dos meteoritos.
 
Lara tenta usar sua experiência para simpatizar com Exu, afirmando que as coisas boas da vida estão além da escuridão que ainda assola ele, e que ele precisa olhar além e buscar apoio em outras pessoas para sair desse buraco. Ele então fala que está sem sua máscara há mais de um século e meio, mas lembra onde a viu pela última vez. 
 
Do lado de fora, Zip está preocupado pois diversos países estão relatando catástrofes paralelas, sem perceber que tudo está ligado a uma mesma pessoa: Mila está simplesmente brincando de deus e acelerando seu processo de destruição do mundo. Lara pede para que Zip reúna a equipe enquanto ela convence Exu que ele precisa agir.
 
 
Numa área isolada e abandonada da cidade, Exu revela o que aconteceu. Sua cidade foi atacada durante um festival, e ele testemunhou sua cidade subir em chamas, mas ficou paralisado e incapaz de ajudar sua tribo. Enquanto todos morriam, ele tentou fugir e foi abordado por um colonizador, perdendo a máscara na batalha. Quando Lara investiga vestígios desse confronto, identifica que eram invasores britânicos e tem uma ideia do possível destino da máscara dele.

Os soldados britânicos costumavam vender relíquias para museus na terra natal ou para colecionadores particulares que buscavam itens exóticos. Mehrak Darvish é um deles, e Lara o considera uma verdadeira escória mas entende que ele conhece muitas pessoas no ramo, portanto, se a máscara de Exu passou por ali, ele deve saber ou ao menos ter ouvido falar sobre ela.

Mehrak fala que Richard Croft era um de seus maiores parceiros, mas Lara não gosta da ideia de vender tesouros roubados. Enquanto eles conversam, Exu e Sam são conduzidos a uma exposição particular do homem onde muitos artefatos iorubás estão orgulhosamente expostos. Exu, naturalmente, perde sua compostura e começa a destruir as vitrines, gritando que nenhum daqueles artefatos pertence ao homem. Antes de serem removidos do local, Lara tenta acalmar Exu prometendo que irão reaver todos eles.
 
Enquanto Exu ainda lida com sua raiva, Lara comenta que todos os artefatos expostos estavam danificados por fogo. Ela então conta uma história de uma velha mesquita onde um soldado inglês ficou encarregado de proteger os artefatos tomados; em determinado momento, ele ateou fogo a si próprio e percorreu os corredores, queimando todos os objetos do local. Mehrak não tinha a máscara, mas sabia como ela era, então é possível que ele a tenha visto dentro da mesquita. Lá dentro, Lara invade uma área bloqueada...

Exu encontra um pequeno altar para ele próprio e observa uma menina fazendo-lhe oferendas. Ele questiona a fé que essas pessoas ainda têm naquele orixá que os abandonou no passado. A menina, travessa, roubou um dos seus braceletes sem que ele percebesse, mas devolve-o logo em seguida. Seu pai, observando, ri e fala que ela sempre foi uma menina travessa, e Exu rapidamente se identifica com os dois. O homem, sem perceber que está falando com o próprio orixá, justifica sua fé, dizendo que a vida por si é travessa mas Exu ensina que devemos seguir em frente, sem deixar de sorrir.

Exu acompanha os dois até um festival que está acontecendo ali perto e se emociona com a cena — é o mesmo festival que havia sido deturpado pelos colonizadores no passado —, e, pouco depois, Lara surge com sua máscara em mãos. Chegou a hora.
 
 
Em muitos aspectos, esse episódio parece funcionar apenas como preparação de terreno para o episódio final. Após uma verdadeira montanha-russa de emoções para Exu (esteve apático, triste, melancólico, furioso, e, por fim, esperançoso), ele finalmente volta a acreditar em si mesmo. Me pergunto apenas como ele havia chegado ao templo subaquático sem se molhar, no episódio "The One Who Kills and Is Thanked for It", sem sua máscara...

A localização da cidade perdida não é revelada, mas, de acordo com a Wikipedia, o Festival de Eyo é tradicional da Nigéria.

Nesse episódio, Lara compra um óculos de armação redonda e lentes vermelhas. Combinado à trança que recebeu alguns episódios atrás, é uma reconstrução progressiva da iconografia clássica da personagem, mesmo que a animação tenha sido cancelada antes que a suposta "unificação" pudesse sequer tomar forma. É possível que essa ideia nem exista mais, para ser honesto.

Por fim, uma observação que apenas eu faria. Na versão em português, uma tradução incorreta destoa completamente uma cena no início do episódio: Exu alerta que a população da cidade perdida talvez venha a apedrejar eles, mas, por algum motivo, o estúdio responsável pela localização decidiu usar a palavra petrificar ao invés. Não sei qual eu preferiria que acontecesse comigo na vida real.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

"The One Who Kills and Is Thanked for It"

"Cuidado! Esse aqui pode te matar."
"Bem, ele pode tentar."
"The One Who Kills and Is Thanked for It" inicia com uma análise de Zip sobre os restos da máscara de Ogum, que a equipe tomou enquanto estava na festa em Pithos, e ele confirma que é feito com um material extraterrestre, portanto, é impossível repará-la.

Nesse momento, Exu, sempre debochado, afirma que era capaz de fazer coisas como metamorfismo com seus poderes. Ele não sabe explicar como acontecia, ele simplesmente fazia. Nesse momento, ele sabiamente argumenta com Zip que a lógica nem sempre providenciará as respostas.

Paralelamente a isso, Abby está fazendo um check-up geral no helicóptero que roubaram de Mila, e Sam lembra a Lara que ela é uma Croft. Lara, densa, de início não entende que sua amiga está falando da imensurável riqueza da família.

Chegando em Cuba, elas providenciam um jipe — Exu, agora ciente da riqueza da mulher, fala que ela poderia ter comprado algo mais elegante e confortável — e seguem em rota para a casa do orixá. Obaluaê é o arauto da morte e doenças. Lara e Exu teorizam que é o poder que falta para que Mila possa remoldar o mundo como entender: matar, curar, e então florescer.
 
Numa bela casa no meio do nada, Obaluaê aceita conversar com as garotas mas, assim como os outros orixás, tem ressalvas quanto a Exu. Ele ressalta que fez de tudo para se afastar da "morte", mas Lara e Sam o convencem a ajudá-las a fazer uma linha de defesa para impedir Mila. Obaluaê então fala que entregou sua máscara a sua mãe: o oceano, como Exu rapidamente esclarece. Obaluaê é uma figura bem querida pelas pessoas em sua comunidade, e ele brinca que mesmo Exu pode ser perdoado pelo que fez.

Na orla, um majestoso templo que os escravos ergueram à Nanã agora jaz no fundo do mar. Lara e Sam mergulham e, em uma cena reminiscente ao portão inicial em Path to Avalon, nível de Underworld, elas usam artefatos para abrir e entrar no templo submerso. Uma parede no fundo do templo está coberta por fungos de dente-sangrento, mas Lara fala que a localização do fungo não faz sentido, concluindo, assim, que é uma fachada.
 


Lara e Sam atravessam a barreira de fungos e encontram uma câmara interior contendo estátuas de todos os orixás existentes nessa história, inclusive Exu que, subitamente, surge no local (totalmente seco e sem uma roupa de mergulho, hm...). Ele alerta que nenhum mortal pode tocar a máscara de Obaluaê, para o que Lara obedientemente concorda quando os fungos começam a brilhar. Mesmo a divindade de Exu não o previne de ter o corpo coberto por dolorosos esporos enquanto pega a máscara.

De volta à casa de Obaluaê, antes que possam finalizar a estratégia, Mila surge e sequestra a esposa e filho do orixá. Após uma troca de farpas, Lara explode uma série de minas terrestres e cria uma cortina de fumaça para que possam resgatá-los e tentar repelir o ataque, mas quando Mila começa a usar as máscaras que já roubou, a situação fica crítica. Obaluaê, sem escolha, aceita vestir sua máscara, também sendo afligido por esporos, e começa a contaminar e matar os mercenários.

Durante a batalha, Obaluaê diz que não vai abandonar seu povo como Exu fez. Por um breve momento, a equipe parece que teria sucesso, quando Obaluaê quase mata Mila. Ela detém o poder de Kehinde, porém, e consegue se curar e imeditamente virar o jogo. Obaluaê, vendo que não é páreo para a inimiga a sua frente, decide se sacrificar para que ela não tome sua máscara.

Mila é esperta, porém. Antes que a máscara se estilhace, ela cura o orixá e, então, toma sua máscara e mata o homem que a vestia. Enquanto absorve o poder, ao mesmo tempo em que seu corpo é coberto por esporos, Fig carrega ela para o avião e eles escapam dali. A família de Obaluaê fica em prantos, enquanto Lara, Sam, e Exu ficam atônitos. Mila, de alguma forma, continua vencendo.


Tenho poucos comentários e observações sobre esse episódio: 
  • Pendurado na mansão Croft, podemos ver o diploma de doutorado de Richard James Croft, em Arqueologia Clássica, pela Oxford.
  • O traje de mergulho que Lara veste usa o mesmo esquema de cores daquele visto em TRU (não muito diferente do visto no episódio Yinyang, da primeira temporada).
  • Zip sussurra a solução para abrir a porta do templo de Nanã quase que instantaneamente, ao melhor estilo Legend (ou, melhor dizendo: como qualquer jogo moderno, de qualquer franquia).
  • De acordo com a Wikipedia, Obaluaê é o orixá da cura, e não da morte. Entretanto, admito que sou tremendamente ignorante no que diz respeito a orixás, então não vou tentar racionalizar pois não tenho o devido entendimento.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Croft's 6

"Só mais um dia normal, então."
Croft's 6 é o meu episódio favorito entre as duas temporadas de The Legend of Lara Croft.
 
Para invadir o prédio da Pithos e chegar até o escritório de Mila, a equipe de Lara elabora um plano mirabolante para se aproveitar do baile de máscaras. Cada um terá um papel a desempenhar, de forma que eles consigam clonar a biometria de dois cientistas para se infiltrar no laboratório onde artefatos são analisados.

Exu, que de início teria ficado de fora, acaba sendo a peça-chave para o sucesso da empreitada e, quando tem um momento a sós com Lara, questiona as motivações dela. "Não é certo ficar sem fazer nada; não quando se pode fazer algo," ela responde.
 


Dentro do escritório, Exu começa a ouvir um zunido constante. O laboratório de Mila está repleto de artefatos, mas as máscaras não estão lá. Exu ainda é evasivo quando questionado sobre seus próprios poderes como orixá, mas ele sente a presença de um irmão no local. O zunido logo se torna uma visão de um orixá se sacrificando para estilhaçar a própria máscara.

Esse sentimento faz com que Zip analise a planta do prédio e, assim, perceba que existe um espaço vazio imediatamente abaixo do escritório. Lara localiza um dispositivo para abrir a passagem secreta e encontra, nessa câmara oculta, o equipamento que havia sido roubado de Sam...

E mais do que isso. Em seus próprios registros, Mila tinha uma foto com um orixá em Cuba. O pressentimento de Exu dá lugar para desespero: trata-se de Ogum, orixá que acreditava que os humanos poderiam salvar e transformar o mundo. Esse excesso de confiança nas pessoas foi sua derrocada, quando cruzou caminhos com Mila. Lara e Exu teorizam que ele tenha compartilhado a história das máscaras com Mila mas, ao perceber as reais intenções da mulher, preferiu sacrificar-se para evitar que ela tomasse seu poder. Uma vez quebrada, uma máscara de orixá não pode ser recomposta. Mesmo assim, Mila manteve todos os fragmentos da máscara de Ogum.

Paralelamente a isso, Sam é flagrada ao tentar ouvir uma conversa de Mila com Fig e Kane (o outro guarda-costas). Mila entende que Lara também está por ali e ordena medidas defensivas. Com um certo sufoco, todo o grupo consegue fazer a exfiltração do local, agora com um novo destino em mente: Cuba. Exu alerta que essa visita pode resultar na morte deles.
 
 
 
Minhas observações e comentários para o episódio:
  • O episódio inteiro é uma clara homenagem à série de filmes iniciada com Ocean's Eleven, até mesmo no título do episódio.
  • Fica subentendido que Zip é um jogador de RPG e pinta miniaturas em seu tempo livre.
  • O porteiro é dublado por Nolan North. Sim, o dublador de Nathan Drake. Na primeira temporada ele dublou Conrad Roth, mas é curioso que ele voltou para a segunda temporada para esse papel com uma única linha de diálogo.
  • A câmera que Zip cega, no elevador, tem o número de identificação 007.
  • No escritório de onde Zip está operando remotamente, presumidamente dentro da Mansão Croft, o quadro de Richard Croft e Anna é visível na parede atrás dele. Considerando a forma como a mulher traiu a família em Rise, não é estranho que Lara não tenha retirado — ou vandalizado — tal quadro?
  • Sam mora em 2300 Willow Park Place. 
  • Não sabemos qual seria o poder da máscara de Ogum, mas ele é o orixá da guerra, do ferro, da agricultura, e da tecnologia. 
  • Entre os artefatos que Mila tem em seu laboratório, está aquele tridente visto no primeiro episódio, o cinturão de Thor (que Exu diz pertencer à Kóri, ao invés), uma espada, um escudo, e uma lança.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Slán Abhaile

"Isso é uma piada para você?"
No episódio Slán Abhaile, Exu leva Lara Croft e Sam até a Irlanda, novo refúgio de Taiwo. Os residentes locais não são muito receptivos à chegada desses visitantes, mas Exu garante que não precisam encontrar Taiwo: é ela quem irá chegar até eles. Num bar local, uma mulher aborda o trio e os conduz por uma trilha remota até uma casa nas colinas...
 
Com a máscara de Taiwo em mãos, elas informam a orixá que sua irmã Kehinde corre perigo. Por conta de algum evento no passado, Taiwo não quer conversa com Exu ou suas novas amigas, mas, ao ser informada sobre a morte de Ocô, ela decide ouvir a história — especialmente quando Lara assume a responsabilidade por ter dado a máscara de Ocô para a assassina.
 
Relutante com o retorno de Exu, Taiwo fala que não é capaz de proteger, podendo apenas curar e consertar aquilo que a humanidade destruiu. Ela está cansada desse fardo e fala que se Mila deseja tanto a  imortalidade, que deixem-na obtê-la. Após uma discussão, Exu se retira do local, mas Lara fica para tentar simpatizar com Taiwo, alertando que Mila não será nada gentil com Kehinde.

Eles então partem para um forte viking, em uma pequena ilha isolada ao norte. Na viagem, Taiwo se abre com Lara e compartilha a história de como uma utopia onde todos eram iguais não funcionou. As pessoas queriam ser diferentes, e Exu avisou que isso não seria uma boa ideia, mas ninguém quis dar ouvidos. Quando os escravizadores chegaram, simplesmente consideraram-se superiores e tomaram as pessoas e seus pertences à força. Taiwo, porém, ressalta que Exu poderia ter usado sua máscara para evitar que isso tivesse acontecido.
 

 
O grupo encontra Kehinde, mas, antes que eles possam se reconciliar com a irmã que havia se isolado do mundo, Mila invade o local com sua equipe. Em um confronto com diversas camadas, Taiwo tenta proteger seus irmãos com o poder de sua máscara, mas, em um momento de distração, é desarmada por Mila que imediatamente mata Kehinde. Lara atinge Mila com dois disparos, mas Mila, agora com a máscara e o poder de Kehinde, cura-se instantaneamente e trata a situação com escárnio.
 
Antes de escapar do local, Mila troca olhares com Exu: enquanto o orixá demonstra apreensão, Mila parece olhar para ele com a certeza de que já o viu em algum lugar antes. Desesperada e desamparada, Taiwo tenta sem sucesso reanimar o corpo de sua irmã. Lara reforça que ela não deve desistir, para que possam evitar ainda mais mortes e destruição, mas ela mesmo admite que são palavras vazias...

Exu pondera sobre as motivações de Mila, e Sam diz que talvez elas devessem, de fato, descobrir o que ela quer afinal. Ela então puxa do bolso o convite para o baile de caridade que haviam recebido da mulher quando se conheceram. 
 
Lara odeia a ideia de ir para uma festa, mas pede para que Zip telefone e reúna o grupo "de sempre".
 


Comentários:
  • Acabei não comentando até então, mas as cenas de ação e acrobacias em Legend of Lara Croft são muito bacanas e bem elaboradas: a forma como Lara sobrepõe a barreira de gelo nesse episódio, por exemplo, enquanto os demais lentamente quebram o gelo, é exatamente o que esperamos da personagem, mas suponho que fãs se divertem mais em busca de likes e de engajamento ressaltando coisas que não gostam ao invés. A miséria adora companhia, afinal.
  • De acordo com ferramentas de tradução online, "slán abhaile" significa "seguro em casa" no idioma irlandês, refletindo a curiosa convicção de que nosso próprio lar oferece toda a segurança que precisamos...
  • O bar na Irlanda é chamado de Gemini Pub, e está repleto de quadros de irmãos gêmeos, além das próprias Ibeji. "Gemini" significa "gêmeos" em latim, mas você já sabia disso.
  • Talvez seja uma coincidência acidental, mas o traje que Lara veste para o clima ártico é uma pesada jaqueta laranja, bastante similar em estilo ao traje de Adventures of Lara Croft que acabou ressurgindo em todas as eras desde então.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Crossroads

"Até as lendas mais absurdas começam com uma verdade."
Em Crossroads, Lara e Sam partem para Nova Orleans, cidade histórica para práticas de vodu, para identificar o símbolo que viu em seu sonho lúcido após a benção de Iemanjá no episódio anterior. O empório místico, com uma porta muito similar a que Lara viu no sonho, está fechado, e Sam sugere que elas passem a noite num bar e voltem na manhã seguinte.

O proprietário do empório, Chartreuse, conta a história de um navio negreiro que estava trazendo riquezas e ídolos da África para a cidade, mas que foi atacado por uma criatura gigantesca. Ao chegar no fundo do mar, toda a carga do navio se esparramou no chão e libertou a magia do vodu que assola a cidade até hoje. Sam rapidamente refuta essa narrativa, dizendo que vodu é uma crença sobre a existência cósmica de nossas almas, e não algo perigoso e malevolente.

Uma pintura, de um homem portando uma máscara, chama a atenção de Lara. De acordo com Chartreuse, representa Papa Legba, o senhor das encruzilhadas, deus do mal e arauto da morte — conhecido como Exu pelos escravos. Chartreuse obviamente está tentando vender seus produtos aos clientes presentes, usando essas histórias como pretexto para esse fim, mas as reações de Sam fazem com que elas sejam rapidamente expulsas do local.

De volta às ruas, Lara finalmente aborda um homem suspeito que esteve ao redor delas desde que chegaram ali. Sam tenta acalmar a amiga, mas, no processo, ambas percebem que ele possuí uma cicatriz no formato do símbolo que Lara estava procurando. Elas coagem o homem até o bar, oferecendo uma bebida em troca de informações.

Brincalhão e paspalho, o homem não parece levar nada a sério. Ele fala que elas são diferentes dos turistas que normalmente visitam Nova Orleans, e Lara concorda com o rótulo de "caçadores de tesouros" que ele atribui a elas, tentando avançar a conversa. Ele então confirma a história que elas ouviram no empório de Chartreuse, e afirma saber a localização do navio. Sam desacredita, dizendo que ele já teria ido atrás do tesouro se de fato soubesse, para o que ele apenas responde brincando que não gosta de sujar as mãos.
 
Além da bebida, Lara oferece ainda mais dinheiro para comprar a informação, mesmo que Sam esteja convencida de que o homem é apenas um alcoólatra aleatório extorquindo dinheiro delas. Na Baía de Caillou, Lara encontra o navio onde Exu disse que estaria (ao mesmo tempo em que Fig, da superfície, localiza algo no fundo do mar com um drone). Enquanto navega pelo naufrágio, Zip, observando tudo remotamente, pondera sobre sua hereditariedade pois não sabe a origem de sua família.
 


Entre muitas réplicas e ídolos, Lara encontra um baú contendo não apenas uma, mas duas máscaras de orixás. Ela é imediatamente apunhalada pelas costas por Fig, que usa um propulsor aquático para tentar escapar com as máscaras. Ela é distraída por um tubarão, e assim Lara consegue alcançá-la e ambas engajam em combate. Cada garota fica com uma máscara, e Lara salva a vida de Fig ao disparar um arpão contra o tubarão, sem perceber que a corda está entrelaçada em sua perna. Fig foge enquanto Lara precisa lidar com o tubarão. Voltando à superfície, é Sam quem salva Lara, rapidamente cortando a corda para libertar a amiga. 

Mais tarde, no hotel, Sam e Lara reúnem todas evidências e pistas na parede, tentando entender o plano e identificar os alvos de Mila. Elas não sabem a quais orixás as duas máscaras no navio pertenciam, e Zip teoriza que eram de Ibeji, que, no sincretismo, foram retratados em muitas culturas por gêmeos dotados de poderes de cura. No caso dos iorubás, seriam as irmãs Taiwo e Kehinde.

Exu surge, do nada, e estuda o mural das garotas. Ele complementa a informação de Zip, dizendo que as Ibeji são as únicas orixás que não possuem uma tribo, sempre indo para lugares onde precisem delas. Mas ele fica surpreso ao ver uma das máscaras ali, ao invés de meros tesouros. Enquanto ele demonstra preocupação com essa descoberta, Lara fala que a outra máscara foi roubada.
 
Com base no que sabe, Lara suspeita que o homem também seja um orixá, e apela por informações para que possam ajudar a dona da máscara, que pode estar em perigo. Exu confirma a teoria da aventureira, apresentando-se como um trapaceiro extraordinário e arauto da morte.


Poucas observações sobre esse episódio: 
  • A temática de vodu foi explorada em Curse of the Sword, e teria sido importante na expansão de The Last Revelation (que nunca saiu do papel de forma oficial). 
  • Lara socando um tubarão é, sim, uma referência velada à The Cradle of Life
  • Nas HQs, antes de ser presa em um manicômio, Sam havia montado num tubarão para apunhalar o animal diretamente no olho, entre muitas outras coisas que fogem do estereótipo que ela seguia em TR2013. Para o tanto que a comunidade odeia a personagem, parece que insistem em inventar coisas novas para justificar sua existência. Dito isso, arrisco dizer que sua caracterização em Legend of Lara Croft é a minha favorita.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Festa de Iemanjá

"Eu já estive aqui antes."
Festa de Iemanjá tem o título assim mesmo, em português, pois a aventura desse episódio de Legend of Lara Croft se passa na Bahia. Iemanjá é uma das divindades mais cultuadas no Brasil, especialmente por seguidores de candomblé e de umbanda, e um dia do ano é dedicado a suas festividades: 2 de fevereiro (sincretizada à Nossa Senhora dos Navegantes).
 
Após tomar os poderes de Ocô e dizimar seu vilarejo na Colômbia, Mila dá novas diretrizes para Fig e pede para que ela dirija-se até a Bahia para localizar a próxima máscara. Lara ouve a conversa entre Fig e outro mercenário, então, enquanto se prepara no aeroporto, ela telefona para Sam e ambas deduzem que Mila talvez seja a peça central das investigações de Sam. Sem que Lara consiga convencê-la do contrário, Sam convida-se a encontrar Lara na Bahia.

Lara compra um livro sobre religiões sul-americanas que cita um ponto de interesse: a Igreja de Todos os Santos, a igreja mais antiga do Brasil. Salvador está deserta, exceto por uma motorista aguardando na frente do hotel. Ela fala que todo mundo está no centro para um festival, mas aceita levar as garotas até a igreja. Ao chegarem lá, essa mulher deixa claro de que tudo que está no local pertence à Bahia, mas Lara rapidamente retruca dizendo que elas não vieram tomar nada, mas sim para proteger.
 
De acordo com a rápida pesquisa de Lara, essa era uma igreja católica onde os "imigrantes" iorubás eram convertidos, mas ela teoriza que uma população não abandonaria suas crenças e costumes tão facilmente. Quando elas entram na igreja, Lara é tomada por uma sensação de déjà vu: trata-se de uma réplica da catedral homônima de Florença, famosa por seus afrescos.
 

 
Enquanto ela e Sam analisam os santos retratados nos murais, Lara identifica que um deles é anacrônico: uma fachada. Ela destrói essa parede (de forma similar ao que fez em Shadow), revelando uma câmara oculta com estátuas de diversos orixás, onde os escravos podiam praticar sua própria religião.

A lenda diz que as máscaras dos orixás foram forjadas a partir de estrelas cadentes, e quem tinha uma máscara recebia um poder único. Lara reconhece Ocô, o orixá das colheitas, como o homem que Mila assassinou na Colômbia. Ao lado dele, Iemanjá, cuja estátua é a maior de todas no recinto: "a chefona", pela descrição de Sam. Antes que possam analisar com calma, elas são emboscadas por Fig.

É uma batalha difícil para Lara (e veja bem, Sam não é completamente inútil), mas a batalha é interrompida pela polícia, que presumidamente foi acionada por conta dos disparos. Fig escapa usando um gancho retrátil em seu bracelete, mas Lara e Sam são apreendidas. A polícia investiga os registros das turistas, e Lara mantém sua calma e compostura enquanto Sam surta.

Ieiê, a mulher que trouxe as garotas até a igreja retorna e ri da situação. É uma mulher bem popular na cidade, e amiga dos guardas. Ela oferece um lanche para eles, pedindo para que deixem-nas partir. Lara já havia se libertado das algemas, mas não tinha feito nada. Quando elas perguntam sobre o festival, Ieiê fala que é dedicado à Iemanjá, então Lara e Sam concluem que não é mera coincidência (é "a chefona", afinal).

Observando Salvador de dentro do veículo de Ieiê, Lara vê seu amarrador de cabelo ser levado pelo vento. Sam rapidamente aproxima-se de sua amiga e prende o cabelo dela em uma trança. Chegando ao festival, em meio à multidão, Lara pede para que Sam fique atenta para a presença de Fig, e Ieiê questiona o interesse delas com tal máscara afinal. Lara explica que elas desejam proteger a todos.
 


Momentos depois, uma máscara cerimônial de Iemanjá é exposta no meio da multidão. Fig chega até essa máscara primeiro e tenta escapar. Lara persegue Fig usando manobras de parkour pelos telhados da cidade, até alcançar a rival para engajarem em combate corporal. Fig cria uma distração, empurrando um carrinho de pastel ladeira abaixo, na direção de uma menina inocente, e ganha tempo para escapar com a máscara enquanto Lara se preocupa em salvar a criança ao invés.

Fig sobe em seu jet ski e consegue escapar, mas não vai muito longe: Lara observa uma onda enorme surgir do nada, derrubando ela e frustrando a fuga de Fig. A água flutua ao redor de Lara, conduzindo a máscara roubada até suas mãos, e Lara então percebe que Ieiê é a própria Iemanjá. A máscara é falsa, e Iemanjá confirma, mostrando a verdadeira relíquia oriunda das estrelas presa em sua cintura.

Iemanjá explica que a atitude de Lara, quando decide proteger uma criança ao custo de perder a briga, torna ela uma mulher admirável. Fig não é a primeira, e nem a última, a vir atrás de sua máscara, mas ela garante que pode manter sua cidade bem protegida. Por se tratar de seu aniversário, Iemanjá oferece um presente às garotas: água do mar contendo respostas. Sam, incrédula, questiona para quais perguntas receberiam respostas. "O mar sempre sabe...", Iemanjá explica.

No dia seguinte, Sam e Lara conversam sobre como a população inteira da cidade convive com uma orixá sem sequer saber disso. Iemanjá está com sua própria máscara e sabe como se defender, então Lara está certa de que Mila irá atrás de um próximo alvo ao invés. E, graças ao sonho lúcido da noite anterior, Lara agora sabe para onde ela e Sam devem partir.

Em um cemitério em algum outro lugar do mundo, um homem bêbado ouve um sussurro do vento, informando que ele receberá visitas em breve...
 


Tenho poucos comentários para esse episódio. Vou lembrar que não é a primeira vez que Lara vem para o Brasil (já o fez em uma HQ e, também, em um dos livros). Em termos de easter eggs, o único que eu identifiquei foi a publicação chamada "Mujer vs Selvaje" no aeroporto — certamente uma referência à abordagem "Woman vs Wild", que foi usada abertamente na promoção de Rise. Já a revista Vagye, estampada por Rihiinna, dispensa comentários.
 
Enquanto estão detidas pela polícia, Lara comenta que elas já foram presas por causa de Sam no passado. Não tenho recordações desse evento em particular. Hm.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

No Good Deed

"Já era hora de começar um novo capítulo."
No Good Deed, primeiro episódio da segunda temporada de The Legend of Lara Croft, começa com um novo resgate à Sam. Sim, você não leu errado. Apesar do que o final da temporada anterior pudesse sugerir, é algo bem rápido: Lara invade o cativeiro na Rússia e, ao melhor estilo Batman (assim como fez no teaser de Catalyst, aliás), usa as sombras para ganhar uma vantagem estratégica contra os mercenários. Enquanto engaja em combate corporal, sem matar nenhum dos seus oponentes, ela recebe a ajuda inesperada de uma elegante e desconhecida mulher, que não é tão complacente com os mercenários.

Enquanto se recompõem em uma cabana de caçadores, Lara tenta assumir a responsabilidade pelo que aconteceu mas Sam rapidamente descarta essa ideia. Ela estava investigando uma série de falsificações e acabou encontrando uma história mais interessante: relíquias inestimáveis estavam desaparecendo ao redor do mundo, mas nenhum museu estava relatando os furtos. Sam voou perto demais do sol, pois toda suas gravações e pesquisa foram tomadas quando ela foi capturada, mas ela supõe que é uma mesma pessoa por trás de todos esses roubos.
 
Nenhuma das duas sabe de onde surgiu a mulher misteriosa. Questionada, ela se apresenta como Fig e diz que é empregada de uma mulher muito interessada em "colaborar" com as duas. Elas então são escoltadas até um luxuoso arquipélago onde fica a base da Pithos, uma iniciativa filantrópica de uma milionária chamada Mila, cuja premissa é de "salvar o mundo".
 


Mila esclarece que Fig estava rastreando uma pintura de sua coleção particular, herança de sua bisavó, e que agora acredita em destino já que Fig não recuperou a pintura, mas encontrou Lara e Sam ao invés. Ela elogia os documentários produzidos por Sam, e então convence Lara de que arqueologia ética é o caminho para o futuro — devolver artefatos às suas culturas de origem, ao invés de roubá-los para si. (Exatamente o oposto que o infâme Richard Croft fazia.)

Detentora de recursos praticamente infinitos, Mila mima Sam com novas filmadoras com tecnologia de ponta, e oferece equipes de escavadores e pesquisadores, com a mesma mentalidade, para trabalharem com Lara. Realçando que não trabalha por dinheiro, Lara recusa.

Mila usa essa brecha para citar uma máscara de Benim, que foi transportada à força (leia-se: escravidão) para a América do Sul no século XVIII, e seu último registro conhecido é uma menção no diário de um missionário espanhol na Colômbia. Enquanto Lara pondera sobre as reais intenções de Mila, a mulher oferece um convite para um futuro baile de caridade organizado pela Pithos.

De volta a Londres, Lara estraga a diversão de seus amigos ao resolver uma escape room em tempo recorde. Na Mansão Croft, enquanto bebem e comem as melhores porções de batata-frita da cidade, Zip testa sua câmera-drone Pamella enquanto Lara, extramemente competitiva, faz uma pontuação perfeita num jogo de dados contra Abby. Após seus amigos se retirarem, Lara pesquisa os registros da coleção dos Croft em busca da máscara. 
 


Bingo: a Máscara de Ocô foi encontrada por seu pai, na Colômbia, em 1976. Como ela havia doado (quase) todos os artefatos para o Museu Britânico, ela tenta convencer o curador de que o artefato deve ser devolvido a sua cultura de origem. O curador descarta a ideia, dizendo que o museu se considera um órgão "protetor do mundo", e relembra que Lara abriu mão da posse dos artefatos. Isso significa que ela precisa reaver o artefato de outra forma, e, para isso, ela invade o museu à noite e usa suas invejáveis acrobacias para navegar por entre os sensores laser.

Uma câmara secreta em Pithos intriga Lara; quando vai entregar a máscara em mãos para Mila ela avista um tridente antigo sendo analisado por diversos cientistas. Mila agradece o artefato inestimável, e fala que o mundo precisa de "protetores" como elas. A palavra dispara um gatilho instantâneo em Lara — exatamente a mesma descrição que o curador havia usado —, e ela passa a desconfiar ainda mais das reais intenções de Mila. 
 
Por precaução, ela havia colocado um rastreador GPS no artefato e, desta forma, pode seguir Mila até um vilarejo na Colômbia. Sua impressão inicial, de que a milionária estava devolvendo o artefato aos camponeses, cai por terra quando Mila decide usar a máscara ao invés. Ao apunhalar Ocô com uma faca, ela sente o poder da divindade em suas próprias veias conforme o homem sangra até a morte. Quando ele finalmente morre, ela absorve sua essência vital e destrói completamente o vilarejo invocando raízes gigantescas da terra.

Lara observa, de longe, horrorizada. Nenhuma boa ação passa impune, de fato.

  • A primeira coisa que chama a atenção na segunda temporada está logo nas vinhetas de abertura: a flecha foi substituída por dois disparos simultâneos das pistolas. É um detalhe pequeno, mas que certamente não passa despercebido (a menos que você clique em "pular abertura", obviamente).
  • Esse episódio introduz a primeira das máscaras de Orixás, no caso é de Ocô: divindade da agricultura, ligado à colheita e fertilidade. Em LOLC, os orixás são representados como seres humanos, vivendo como pessoas comuns, mas cujos poderes dependem do uso da máscara atribuída a cada um deles. Para Mila tomar o poder para si, ela precisa eliminar o detentor original da máscara.
  • Reintroduzir Sam como uma vítima chega a ser clichê a essa altura, mas é seguro considerar que tanto The Ten Thousand Immortals quanto as histórias em quadrinhos da Dark Horse foram (corretamente) ignoradas. Isso abre ainda mais brechas para colocar a tal unificação em cheque, mas como a primeira temporada de LOLC já contradizia eventos da própria trilogia Survivor, minha recomendação é de aproveitar a série como uma história própria e auto-contida, da mesma forma que as demais aventuras transmidiáticas de Lara Croft. Com trinta anos de história, um cânone único com tantas mídias paralelas é inviável.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Guia de episódios de Legend of Lara Croft S2

The Legend of Lara Croft foi, infelizmente e injustamente, cancelada, mas a segunda temporada está entre nós e apresenta uma aventura independente e muito bacana. Eu sou suspeito para falar, mas os novos episódios mostram um avanço notável em todos os aspectos.
 
Da mesma forma que fiz para a primeira temporada, pretendo escrever postagens dedicadas para cada um dos episódios, de forma a resumir, comentar, e destacar referências que eu identificar, mas, novamente, vou ceder um prazo de um mês, mais ou menos, para evitar disseminar spoilers para os potenciais leitores do blog Raider Daze.
 
Portanto, as sinopses abaixo são as mesmas disponibilizadas pela própria Netflix. Atualizarei esse índice com links para os resumos quando eles estiverem no ar. Por ora, mais uma vez, apenas imploro que você ignore o negativismo dos chamados influenciadores e confira pessoalmente.

No. Título Roteiro Estreia

01 No Good Deed
Tasha Huo
11/12/2025
Uma aliada misteriosa conduz Lara a uma utopia tecnológica em que uma filantropa brilhante oferece a ela um desafio que pode mudar seu legado para sempre.

02 Festa de Iemanjá
Shakira Pressley
11/12/2025
Em meio a uma celebração vibrante no Brasil, Lara fica cara a cara com uma rival impiedosa para impedir que um artefato poderoso caia em mãos perigosas.

03 Crossroads
Tasha Huo
11/12/2025
No coração da cultura do vodu de Nova Orleans, a busca de Lara por uma máscara sagrada a leva a encarar uma aventura marítima em que o mito encontra um perigo mortal.

04 Slán Abhaile
Shakira Pressley
11/12/2025
Nas profundezas de um forte congelado, a reunião há muito tempo esperada entre Lara e Mila acaba em um confronto que ameaça destruir mais que gelo.

05 Croft's 6
Tasha Huo
11/12/2025
Uma missão secreta em uma festa luxuosa coloca Lara em território inimigo, obrigando a aventureira a tentar fugir antes que um sistema de segurança sele seu destino.

06 "The One Who Kills and Is Thanked for It"
Tasha Huo
11/12/2025
Lara e Sam mergulham na costa cubana para recuperar uma máscara de orixá perdida, dando início a um acerto de contas que nenhum dos lados pode ousar perder.

07 The Breaking of the Land
Nneka Gerstle
11/12/2025
O mundo mergulha no caos, e Lara e Exu exploram uma cidade africana perdida, na esperança de que a verdade sobre o passado dele possa conter o que está por vir.

08 The Bringer of Death
Tasha Huo
11/12/2025
A batalha final se aproxima, e Lara lidera a resistência em um confronto épico. Forças ancestrais despertam, e o destino da humanidade paira à beira da destruição.
 
[Atualizado em 04/03/2026.]

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Legend of Lara Croft S2 está disponível


Os oito episódios da segunda temporada de The Legend of Lara Croft já estão disponíveis na Netflix, cabe a você decidir se deseja assistir aos poucos ou maratonar todos de uma vez só. Tanto melhor se você tiver companhia para qualquer cenário, mas esse é um mero bônus.

Para celebrar a estreia, o canal YouTube oficial de Tomb Raider publicou um breve segmento do primeiro episódio, onde Lara invade um museu para roubar — ou melhor, reaver — um artefato que, outrora, havia pertencido à coleção dos Croft. Aquela adorável referência à The Cradle of Life também foi publicada.

Vale lembrar que, lamentavelmente, a série não foi renovada para uma terceira temporada.

[Postagem escrita em 12/12/2025.]

Trilha sonora digital de Legend of Lara Croft S2

 
A trilha sonora da segunda temporada de The Legend of Lara Croft será lançada em formato digital, através das plataformas de streaming. Assim como a primeira temporada, no ano passado, as composições são de autoria da dupla Pinar Toprak & Gerrit Wunder. 
 
Você pode escutar à trilha acima, e, abaixo, você pode conferir a lista completa de faixas:
  1. Lara Croft - The Adventure Continues
  2. The Awakening of Evil
  3. Bond of Trust
  4. Blades in Motion
  5. Mysterious Mask
  6. Tears of the Past
  7. Enemy Unleashed
  8. The Bond Remains
  9. Rise Against the Darkness
  10. Visitor from the Shadows
  11. Gift of Hope
  12. In Search of the Mask
  13. I Knew Her Once
  14. Trickster
  15. The Old Church
  16. Relic of the Deep
  17. Fire and Fury
  18. Lifeline in the Sky
  19. Peace Has Found Him
  20. Fight As One
  21. A Promise Kept
[Postagem escrita em 13/12/2025.]

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Vídeo resume primeira temporada de LOLC


Na próxima quinta-feira, quando voltarmos para nossas casas após a jornada de trabalho no mundo real, certamente estaremos todos com os olhos voltados para a The Game Awards, mas também é o dia em que a segunda e última temporada de The Legend of Lara Croft estreia na Netflix.

Em minha cobertura da animação aqui no blog Raider Daze, escrevi resumos para cada um dos episódios da primeira temporada, algo que eu pretendo fazer para os novos episódios no início de 2026, assim que a vida permitir. Suspeito que o arco de Devereaux e das Pedras do Perigo esteja encerrado, mas vale a pena conferir o vídeo na falta de tempo para maratonar toda a primeira temporada uma nova vez.

Vale destacar que a trilha sonora de fundo deste vídeo foi composta pelo fã Dean Kopri.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Artigo especial para 29 anos de Tomb Raider

Escrevi o artigo abaixo para o portal PSX Brasil, aqui replicado com autorização. Foi escrito, a pedido, com a chegada de Anniversary ao catálogo de PS2 Classics e o lançamento surpresa de TR2013 para o Nintendo Switch, por isso a publicação não aconteceu no dia do aniversário em si.

A imagem acima foi editada pelo amigo DoppelZgz, do fansite Raiders of the Tomb.


 
Em outubro, a franquia Tomb Raider celebrou seu 29º aniversário, levando-se em consideração a data de lançamento europeia para Sega Saturn — a primeira a chegar ao mercado, em 25 de outubro de 1996, algumas semanas antes do lançamento em demais plataformas e territórios. A exclusividade temporária não significou muito, uma vez que foi no PlayStation e nos computadores que a franquia encontrou um maior público e se estabeleceu como uma grande propriedade intelectual, consolidando o status de sua protagonista como um ícone cultural para uma geração inteira.

Impacto e legado da franquia são inegáveis, em grande parte pelo seu título original que ajudou a moldar o gênero de jogos de ação e aventura em 3D. Os títulos da extinta Core Design poderiam estar completamente perdidos para o tempo, dependendo de emulação ou de correções desenvolvidas por fãs para garantir compatibilidade dos jogos com sistemas operacionais modernos nos computadores, mas, felizmente, após quase trinta anos, recebemos uma excelente série de remasterizações.

Tomb Raider - Passado

No ano passado, tivemos Tomb Raider I-III Remastered, desenvolvido pela Saber Interactive e Aspyr Media, que surpreendeu ao trazer novos recursos gráficos e modelos completamente reconstruídos na engine original dos anos 1990, na qual cenários eram compostos por blocos e formas geométricas rudimentares. A jogabilidade é intrínseca à forma como esses mundos eram criados, portanto, é uma coletânea que talvez não ressoe com gerações mais novas de jogadores, mas é inegável que o trabalho de restauração é incrível.


Tudo começou aqui...

E, surpreendendo a todos, no início deste ano recebemos a segunda trilogia com Tomb Raider IV-VI Remastered. Na época em que foram originalmente lançados, entre 1999 e 2003, a recepção destes jogos já era mista, em particular do sexto jogo (que marcava a transição da série do PS1 para PS2), e mesmo que a remasterização seja feita de forma ainda mais passional do que da coletânea anterior, esse pacote teria dificuldades de qualquer forma para garantir um resultado comercial similar. Os fãs de longa data, sem dúvida, adoram.

Com essas duas coletâneas disponíveis, toda a primeira era da franquia — correspondendo aos jogos lançados entre 1996 e 2003 — está prontamente acessível para as plataformas atuais (incluindo PS4 e PS5). Não apenas isso, mas todos os pacotes de expansão, lançados exclusivamente para computadores paralelamente às respectivas continuações, finalmente estão disponíveis para jogadores de todas as plataformas.

Com o fraco desempenho comercial de Tomb Raider: The Angel of Darkness em 2003, a então publisher Eidos Interactive transferiu a propriedade intelectual para a Crystal Dynamics, estúdio que até então era responsável e reconhecido pelas continuações da série Legacy of Kain, atribuindo-lhes a árdua missão de revigorar a franquia para que ela voltasse a resultar em lucros para os fechamentos dos anos fiscais.

E é assim que recebemos a segunda era da franquia, composta pela trilogia Tomb Raider Legend, Tomb Raider Anniversary, e Tomb Raider Underworld. Essa repaginada trazia uma protagonista muito mais comunicativa, em cenários muito mais ricos em detalhes e acompanhados de uma jogabilidade fluída e dinâmica, resultando numa experiência linear e acessível. A franquia, finalmente, estava acompanhando os passos de jogos daquela geração (mais especificamente, a trilogia Prince of Persia: Sands of Time).

Tomb Raider - Presente

Curiosamente, entre o interminável quantitativo de jogos que foram lançados para PS2, os dois jogos dessa continuidade que foram originalmente desenvolvidos para aquela geração estão disponíveis no PS4 e PS5 graças ao catálogo de PS2 Classics: Legend foi lançado em junho do ano passado, com uma emulação questionável e de baixa resolução, ao passo que Anniversary foi adicionado ao catálogo agora, no dia 18 de novembro, com um surpreendente salto visual entre os dois jogos.

Legend (PS2 Classics) vs. Anniversary (PS2 Classics)
Não sabemos se esse notável (e extremamente necessário) aumento da resolução interna é resultado de melhorias na emulação ou um mero cuidado maior por parte de quem tenha feito a conversão. Também não sabemos se a ideia da Crystal Dynamics, que passou a ser uma subsidiária do conglomerado Embracer Group em 2022, era oferecer esses simples ports para evitar gastos com possíveis remasterizações, mas, dado o cuidado com os jogos da Core Design, espera-se que essa trilogia seja adequadamente remasterizada no futuro imediato (embora, sim, esses dois jogos tenham sido remasterizados em 2011 para o PS3).

Além disso, é necessário lembrar que Underworld era um título de PS3, cujo suporte ainda não existe em se tratando de retrocompatibilidade oficial, e a versão para Xbox 360 contava com DLCs exclusivos que, até hoje, são reféns da plataforma. Se as remasterizações dos seis primeiros jogos libertaram conteúdos até então exclusivos para computador para todas as plataformas, resta torcer para que o mesmo tratamento seja estendido e aplicado a essa trilogia também.

A franquia encarou nova turbulência na transição de geração do PS2 para o PS3, mas, dessa vez por pressão externa, com o advento de jogos como Assassin's Creed e Uncharted que se enquadravam no mesmo gênero e conseguiam atrair para si os devidos destaques. Além disso, por uma série interminável de problemas financeiros, a publisher Eidos finalmente foi arrematada e todas suas propriedades intelectuais passaram a ser parte da gigante japonesa Square Enix.

Essa mudança deu um tempo para que a Crystal Dynamics, mais uma vez, pesquisasse formas para revigorar a franquia. Adaptar a jogabilidade para os padrões de jogos de tiro em terceira pessoa, delineados por Gears of War, seria simples, mas não bastaria para distanciar-se do principal concorrente. Assim, aos poucos, o jogo se transformou numa mescla de "ação e sobrevivência", com uma narrativa que girava em torno de uma jovem inexperiente tentando sobreviver a uma série de contratempos em um ambiente inóspito e desconhecido.

E esse reboot total surpreendeu: o jogo atingiu a marca de um milhão de cópias vendidas em menos de 48 horas, estabelecendo um novo recorde para a franquia. Lançado em 2013, no fim da geração do PS3, o jogo ainda foi um dos precursores para as incontáveis "edições definitivas" que viriam a dominar os primeiros anos do PS4. Curiosamente, foi apenas a partir das vendas combinadas das duas gerações que a Square Enix mudou seu discurso de que o jogo não havia atingido as metas projetadas, mesmo com o supracitado desempenho de vendas.

Agora, quase 12 anos depois, essa edição definitiva foi relançada, de surpresa, para plataformas Nintendo Switch e Switch 2, em um port feito pela Aspyr Media. A Nintendo é notória por não tentar competir com seus concorrentes em termos de hardware, e seus consoles híbridos sofrem uma desvantagem ainda maior quando comparados aos consoles de mesa, mas o jogo está ali. Dentro das limitações da plataforma, funciona, embora a performance seja bastante instável no Switch original, com diversos saltos na taxa de quadros por segundo e controles analógicos ruins que acrescentam uma dificuldade artificial desnecessária a um jogo que depende de reflexos rápidos. O multiplayer, que por algum motivo foi mantido, causa ainda mais indisposição, mas é seguro assumir que estará deserto e abandonado em uma questão de dias pois nunca foi um modo popular nas outras plataformas.



A série principal ainda teve outros dois jogos lançados nessa terceira era da franquia, com Rise of the Tomb Raider (2015), que foi financiado pela Microsoft em troca de uma tenebrosa exclusividade por um ano inteiro, e Shadow of the Tomb Raider (2018), desenvolvido pela Eidos Montréal e que finaliza a suposta trilogia de origens da aventureira. Esses dois últimos jogos foram lançados para PS4 e Xbox One e, assim como o reboot, podem ser jogados no PS5 através da retrocompatibilidade integral para jogos da geração anterior.

Em 2021, enquanto a Crystal Dynamics ainda trabalhava em conteúdos adicionais para Marvel's Avengers, Tomb Raider atingiu o marco histórico de 25 anos. Na ocasião, o estúdio revelou que planejava "unificar" a franquia, de forma a transformar todo seu legado parte de um cânone, mas que um novo jogo ainda não seria revelado tão cedo. Os primeiros passos dessa nova era, supostamente, aconteceriam na série animada de Netflix, Tomb Raider: A Lenda de Lara Croft, que estreou apenas no final de 2024.

Infelizmente, porém, a animação contradiz a linha temporal e narrativa de eventos acontecidos dentro da própria trilogia de origens, e até mesmo repete certos temas desnecessariamente. Desde que foi anunciada, ainda antes da Square Enix se desfazer de sua divisão ocidental, sabíamos que a série teria duas temporadas, e, também no último dia 18 de novembro, finalmente recebemos o primeiro trailer da segunda temporada. E, a julgar pelo conteúdo, os mesmos temas serão recontados e reciclados mais uma vez. Poderemos conferir pessoalmente no dia 11 de dezembro; uma data um tanto peculiar, pois coincide com a The Game Awards deste ano. Após tantos anos esperando pela revelação formal do próximo jogo da série, seria essa uma dica?


Enquanto não retorna em uma aventura própria, Lara explora horizontes alheios por aí...

Nesses últimos cinco anos, Lara Croft também passou a ser uma das figurinhas mais batidas no que diz respeito a crossovers e colaborações externas. Ela ainda está alguns patamares abaixo de personagens como Sonic e As Tartarugas Ninja — franquias com as quais ainda não houve uma colaboração direta, aliás — mas, considerando-se apenas 2025, por exemplo, vimos nossa garota receber conteúdos em Pinball FX, Dead by Daylight, Fortnite e Rocket League, além de World of Tanks e Hero Wars (esses dois últimos não estão disponíveis para plataformas PlayStation).

Tomb Raider - Futuro

É difícil determinar se o tal cânone unificado ainda faz parte dos planos da Crystal Dynamics, dado o silêncio absoluto sobre o futuro da franquia e também levando em consideração que investidores do Embracer Group possuem suas próprias expectativas a serem atendidas. Sabemos que o próximo jogo usará a Unreal Engine 5 e será publicado pela Amazon Games, e só. Precisamos manter em mente que a própria Crystal Dynamics tem enfrentado dificuldades com essas mudanças: além de frequentes ondas de demissões, a Microsoft cancelou o reboot de Perfect Dark que estava sendo co-desenvolvido pela parceria formada entre o estúdio e a, agora extinta, The Initiative.


“A aventura está à espera”, diz o site oficial.

Independente do escopo desses planos, projetos transmidiáticos continuam a existir. Em janeiro, uma nova minissérie em quadrinhos será publicada pela editora Dark Horse, curiosamente retomando a continuidade de Underworld. E, após quase um ano de burburinhos e especulações, a série em live-action para Prime Video, encabeçada por Phoebe Waller-Bridge, finalmente encontrou sua protagonista em Sophie Turner, mas esse é outro projeto sobre o qual não sabemos virtualmente nada até o momento.

Entre tantas incertezas, é impossível determinar o que o Ano 30 reserva para os apreciadores de Lady Croft, mas aqui estamos. E aqui permaneceremos.