segunda-feira, 2 de março de 2026

The Breaking of the Land

"Eu poderia escrever um tomo sobre como afastar pessoas."
O episódio The Breaking of the Land finalmente nos dá o contexto que faltava sobre Exu. No início, durante a cerimônia de sepultamento de Obaluaê, cujo corpo é jogado ao mar em direção ao templo de Nanã, ele fala que orixás são amaldiçoados, condenados a uma existência de dor e sofrimento.

Lara e Sam não conseguem fazer o paralelo do que Chartreuse havia dito, no empório místico, onde Exu era retratado como alguém perigoso e terrível com o homem que tem acompanhado elas, mas Lara insiste que, de alguma forma, é ele quem pode impedir Mila. Ele então diz que sua máscara está em uma cidade perdida (em um local não especificado).

Apático, ele é levado até a cidade. Logo na entrada, vê que uma efígie sua foi vandalizada. Quando os residentes reconhecem o homem, ele rapidamente se encontra sobrecarregado de emoções e memórias do passado e cai, arrependido, aos pés de uma velha anciã. Ela simplesmente o acalma, com um abraço, e deseja boas-vindas ao trio.
 
Deixando um pouco sua introversão de lado, Lara dança junto aos cidadãos. Ela explana para Sam que é a preservação desses costumes locais e de povos felizes que faz com que o mundo mereça ser protegido. Exu, distante, continua indiferente, porém. A cidade conseguiu se manter sozinha, desde que ele partiu, usando vestimentas de olumo, forjada a partir dos meteoritos.
 
Lara tenta usar sua experiência para simpatizar com Exu, afirmando que as coisas boas da vida estão além da escuridão que ainda assola ele, e que ele precisa olhar além e buscar apoio em outras pessoas para sair desse buraco. Ele então fala que está sem sua máscara há mais de um século e meio, mas lembra onde a viu pela última vez. 
 
Do lado de fora, Zip está preocupado pois diversos países estão relatando catástrofes paralelas, sem perceber que tudo está ligado a uma mesma pessoa: Mila está simplesmente brincando de deus e acelerando seu processo de destruição do mundo. Lara pede para que Zip reúna a equipe enquanto ela convence Exu que ele precisa agir.
 
 
Numa área isolada e abandonada da cidade, Exu revela o que aconteceu. Sua cidade foi atacada durante um festival, e ele testemunhou sua cidade subir em chamas, mas ficou paralisado e incapaz de ajudar sua tribo. Enquanto todos morriam, ele tentou fugir e foi abordado por um colonizador, perdendo a máscara na batalha. Quando Lara investiga vestígios desse confronto, identifica que eram invasores britânicos e tem uma ideia do possível destino da máscara dele.

Os soldados britânicos costumavam vender relíquias para museus na terra natal ou para colecionadores particulares que buscavam itens exóticos. Mehrak Darvish é um deles, e Lara o considera uma verdadeira escória mas entende que ele conhece muitas pessoas no ramo, portanto, se a máscara de Exu passou por ali, ele deve saber ou ao menos ter ouvido falar sobre ela.

Mehrak fala que Richard Croft era um de seus maiores parceiros, mas Lara não gosta da ideia de vender tesouros roubados. Enquanto eles conversam, Exu e Sam são conduzidos a uma exposição particular do homem onde muitos artefatos iorubás estão orgulhosamente expostos. Exu, naturalmente, perde sua compostura e começa a destruir as vitrines, gritando que nenhum daqueles artefatos pertence ao homem. Antes de serem removidos do local, Lara tenta acalmar Exu prometendo que irão reaver todos eles.
 
Enquanto Exu ainda lida com sua raiva, Lara comenta que todos os artefatos expostos estavam danificados por fogo. Ela então conta uma história de uma velha mesquita onde um soldado inglês ficou encarregado de proteger os artefatos tomados; em determinado momento, ele ateou fogo a si próprio e percorreu os corredores, queimando todos os objetos do local. Mehrak não tinha a máscara, mas sabia como ela era, então é possível que ele a tenha visto dentro da mesquita. Lá dentro, Lara invade uma área bloqueada...

Exu encontra um pequeno altar para ele próprio e observa uma menina fazendo-lhe oferendas. Ele questiona a fé que essas pessoas ainda têm naquele orixá que os abandonou no passado. A menina, travessa, roubou um dos seus braceletes sem que ele percebesse, mas devolve-o logo em seguida. Seu pai, observando, ri e fala que ela sempre foi uma menina travessa, e Exu rapidamente se identifica com os dois. O homem, sem perceber que está falando com o próprio orixá, justifica sua fé, dizendo que a vida por si é travessa mas Exu ensina que devemos seguir em frente, sem deixar de sorrir.

Exu acompanha os dois até um festival que está acontecendo ali perto e se emociona com a cena — é o mesmo festival que havia sido deturpado pelos colonizadores no passado —, e, pouco depois, Lara surge com sua máscara em mãos. Chegou a hora.
 
 
Em muitos aspectos, esse episódio parece funcionar apenas como preparação de terreno para o episódio final. Após uma verdadeira montanha-russa de emoções para Exu (esteve apático, triste, melancólico, furioso, e, por fim, esperançoso), ele finalmente volta a acreditar em si mesmo. Me pergunto apenas como ele havia chegado ao templo subaquático sem se molhar, no episódio "The One Who Kills and Is Thanked for It?", sem sua máscara...

A localização da cidade perdida não é revelada, mas, de acordo com a Wikipedia, o Festival de Eyo é tradicional da Nigéria.

Nesse episódio, Lara compra um óculos de armação redonda e lentes vermelhas. Combinado à trança que recebeu alguns episódios atrás, é uma reconstrução progressiva da iconografia clássica da personagem, mesmo que a animação tenha sido cancelada antes que a suposta "unificação" pudesse sequer tomar forma. É possível que essa ideia nem exista mais, para ser honesto.

Por fim, uma observação que apenas eu faria. Na versão em português, uma tradução incorreta destoa completamente uma cena no início do episódio: Exu alerta que a população da cidade perdida talvez venha a apedrejar eles, mas, por algum motivo, o estúdio responsável pela localização decidiu usar a palavra petrificar ao invés. Não sei qual eu preferiria que acontecesse comigo na vida real.