"Já era hora de começar um novo capítulo."
No Good Deed, primeiro episódio da segunda temporada de The Legend of Lara Croft, começa com um
novo resgate à Sam. Sim, você não leu errado. Apesar do que o final da
temporada anterior pudesse sugerir, é algo bem rápido: Lara invade o cativeiro
na Rússia e, ao melhor estilo Batman (assim como fez
no teaser de Catalyst, aliás), usa as sombras para ganhar uma vantagem estratégica contra os
mercenários. Enquanto engaja em combate corporal, sem matar nenhum dos seus
oponentes, ela recebe a ajuda inesperada de uma elegante e desconhecida
mulher, que não é tão complacente com os mercenários.
Enquanto se recompõem em uma cabana de caçadores, Lara tenta assumir a
responsabilidade pelo que aconteceu mas Sam rapidamente descarta essa ideia.
Ela estava investigando uma série de falsificações e acabou encontrando uma
história mais interessante: relíquias inestimáveis estavam desaparecendo ao
redor do mundo, mas nenhum museu estava relatando os furtos. Sam voou perto
demais do sol, pois toda suas gravações e pesquisa foram tomadas quando ela
foi capturada, mas ela supõe que é uma mesma pessoa por trás de todos esses
roubos.
Nenhuma das duas sabe de onde surgiu a mulher misteriosa. Questionada, ela se
apresenta como Fig e diz que é empregada de uma mulher muito interessada em
"colaborar" com as duas. Elas então são escoltadas até um luxuoso arquipélago
onde fica a base da Pithos, uma iniciativa filantrópica de uma milionária
chamada Mila, cuja premissa é de "salvar o mundo".
Mila esclarece que Fig estava rastreando uma pintura de sua coleção
particular, herança de sua bisavó, e que agora acredita em destino já que Fig
não recuperou a pintura, mas encontrou Lara e Sam ao invés. Ela elogia os
documentários produzidos por Sam, e então convence Lara de que arqueologia
ética é o caminho para o futuro — devolver artefatos às suas culturas de
origem, ao invés de roubá-los para si. (Exatamente o oposto que o infâme
Richard Croft fazia.)
Detentora de recursos praticamente infinitos, Mila mima Sam com novas
filmadoras com tecnologia de ponta, e oferece equipes de escavadores e
pesquisadores, com a mesma mentalidade, para trabalharem com Lara. Realçando
que não trabalha por dinheiro, Lara recusa.
Mila usa essa brecha para citar uma máscara de Benim, que foi transportada à
força (leia-se: escravidão) para a América do Sul no século XVIII, e seu
último registro conhecido é uma menção no diário de um missionário espanhol na
Colômbia. Enquanto Lara pondera sobre as reais intenções de Mila, a mulher
oferece um convite para um futuro baile de caridade organizado pela Pithos.
De volta a Londres, Lara estraga a diversão de seus amigos ao resolver uma
escape room em tempo recorde. Na Mansão Croft, enquanto bebem e comem as
melhores porções de batata-frita da cidade, Zip testa sua câmera-drone Pamella
enquanto Lara, extramemente competitiva, faz uma pontuação perfeita num jogo
de dados contra Abby. Após seus amigos se retirarem, Lara pesquisa os
registros da coleção dos Croft em busca da máscara.
Bingo: a Máscara de Ocô foi encontrada por seu pai, na Colômbia, em 1976. Como
ela havia doado (quase) todos os artefatos para o Museu Britânico, ela tenta
convencer o curador de que o artefato deve ser devolvido a sua cultura de
origem. O curador descarta a ideia, dizendo que o museu se considera um órgão
"protetor do mundo", e relembra que Lara abriu mão da posse dos artefatos.
Isso significa que ela precisa reaver o artefato de outra forma, e, para isso,
ela invade o museu à noite e usa suas invejáveis acrobacias para navegar por
entre os sensores laser.
Uma câmara secreta em Pithos intriga Lara; quando vai entregar a máscara em
mãos para Mila ela avista um tridente antigo sendo analisado por diversos
cientistas. Mila agradece o artefato inestimável, e fala que o mundo precisa
de "protetores" como elas. A palavra dispara um gatilho instantâneo em Lara —
exatamente a mesma descrição que o curador havia usado —, e ela passa a
desconfiar ainda mais das reais intenções de Mila.
Por precaução, ela havia colocado um rastreador GPS no artefato e, desta
forma, pode seguir Mila até um vilarejo na Colômbia. Sua impressão inicial, de
que a milionária estava devolvendo o artefato aos camponeses, cai por terra
quando Mila decide usar a máscara ao invés. Ao apunhalar Ocô com uma faca, ela
sente o poder da divindade em suas próprias veias conforme o homem sangra até
a morte. Quando ele finalmente morre, ela absorve sua essência vital e destrói
completamente o vilarejo invocando raízes gigantescas da terra.
Lara observa, de longe, horrorizada. Nenhuma boa ação passa impune, de fato.
- A primeira coisa que chama a atenção na segunda temporada está logo nas vinhetas de abertura: a flecha foi substituída por dois disparos simultâneos das pistolas. É um detalhe pequeno, mas que certamente não passa despercebido (a menos que você clique em "pular abertura", obviamente).
- Esse episódio introduz a primeira das máscaras de Orixás, no caso é de Ocô: divindade da agricultura, ligado à colheita e fertilidade. Em LOLC, os orixás são representados como seres humanos, vivendo como pessoas comuns, mas cujos poderes dependem do uso da máscara atribuída a cada um deles. Para Mila tomar o poder para si, ela precisa eliminar o detentor original da máscara.
- Reintroduzir Sam como uma vítima chega a ser clichê a essa altura, mas é seguro considerar que tanto The Ten Thousand Immortals quanto as histórias em quadrinhos da Dark Horse foram (corretamente) ignoradas. Isso abre ainda mais brechas para colocar a tal unificação em cheque, mas como a primeira temporada de LOLC já contradizia eventos da própria trilogia Survivor, minha recomendação é de aproveitar a série como uma história própria e auto-contida, da mesma forma que as demais aventuras transmidiáticas de Lara Croft. Com trinta anos de história, um cânone único com tantas mídias paralelas é inviável.





