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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Sobre a trilha sonora de IV-VI Remastered

Às vezes, surtos de hiperfoco. Outras vezes, uma falta absoluta de energia e de força de vontade. Dada essa constante oscilação nas poucas horas de tempo livre que a vida adulta permite, tenho procrastinado tantas coisas que é impossível não poderar: será que está na hora de abrir mão de certos hobbies? Preciso filtrar quais metas são plausíveis, e quais não são, para 2026...

De qualquer forma, quando recebi a edição Deluxe de IV-VI Remastered, prometi que escreveria uma postagem dedicada à trilha sonora aqui no blog. Nada mais sensato, afinal, eu sempre reitero o quanto gosto de colecionar e ouvir músicas de Tomb Raider, e para mim qualquer grau de conexão é válido.

Fico feliz em reportar que o trabalho é melhor que a trilha sonora equivalente encartada nas edições especiais de I-III Remastered. A curadoria ainda é um pouco curiosa — não estou convencido de que sejam os "Greatest Hits", de fato, dessa trilogia —, mas ao menos há um maior foco em melodias propriamente ditas do que em faixas de ambiente, embora muitas deste tipo ainda estejam presentes.

Para mim, o aspecto mais intrigante está na divisão de faixas. São 38 faixas, correspondendo a cerca de 75 minutos de áudio, das quais apenas 7 são de The Last Revelation, outras 14 são de Chronicles, e 17 são de Angel of Darkness. Considerando que a trilha sonora é uma das pouquíssimas coisas que merecem atenção em AOD, isso não é um problema, mas existem omissões estranhas como a ausência do tema da tela-título de TR4.
 
Em contrapartida, algumas das faixas são oriundas das animações em CG, que geralmente ficam de fora nas compilações feitas por usuários. Suspeito que tenham sido obtidas através do arquivo público de The Dark Angel Symphony
 
Outra curiosidade menor: desta vez, todas as regiões contam com a trilha sonora em disco, mas, novamente, apenas a edição asiática traz o mesmo em um estojo plástico, completo com encartes, como você pode conferir nesta postagem dos colecionadores Mik & Dan.
 
Essa nova coletânea está indexada no portal Discogs. Em tempo, eis a relação completa de faixas:
  1. TR4 - Boss Fight (Background Music)
  2. TR4 - Chase (Background Music)
  3. TR4 - Close to the End (Background Music)
  4. TR4 - Egyptian Mood Part II (Background Music)
  5. TR4 - FMV Intro (Background Music)
  6. TR4 - Incidental Mysterious III (Background Music)
  7. TR4 - The Puzzle (Background Music)
  8. TR5 - Gallows Tree (Ambient Sound)
  9. TR5 - Labyrinth (Ambient Sound)
  10. TR5 - Old Mill (Ambient Sound)
  11. TR5 - Submarine (Ambient Sound)
  12. TR5 - Submarine (Background Music)
  13. TR5 - The 13th Floor (Ambient Sound)
  14. TR5 - The 13th Floor (Background Music)
  15. TR5 - The Base (Ambient Sound)
  16. TR5 - Trajans Markets (Ambient Sound)
  17. TR5 - Trajans Markets (Boss Fight)
  18. TR5 - Colosseum (Ambient Sound)
  19. TR5 - Crickets (Ambient Sound)
  20. TR5 - Deepsea Dive (Ambient Sound)
  21. TR5 - Theme Music
  22. TR6 - By Moonlight (Background Music)
  23. TR6 - Dance of the Lux Veritatis (Background Music)
  24. TR6 - Eckhardts Lab (Background Music)
  25. TR6 - Karel (Background Music)
  26. TR6 - Opening Scene (Background Music)
  27. TR6 - Paris - Shadow of the Monstrum (Background Music)
  28. TR6 - Paris - The Duel (Background Music)
  29. TR6 - Parisian Ghetto (Background Music)
  30. TR6 - Parisian Back Streets (Background Music)
  31. TR6 - Prague - Infiltrating the Strahov (Background Music)
  32. TR6 - Prague - The Search for Eckhardt (Background Music)
  33. TR6 - Prague - The Unseen Attacks (Background Music)
  34. TR6 - The Accused (Background Music)
  35. TR6 - The Serpent Rouge (Background Music)
  36. TR6 - Theme Music
  37. TR6 - Time for Change (Background Music)
  38. TR6 - Twisted Strings 2 (Background Music)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Artigo especial para 29 anos de Tomb Raider

Escrevi o artigo abaixo para o portal PSX Brasil, aqui replicado com autorização. Foi escrito, a pedido, com a chegada de Anniversary ao catálogo de PS2 Classics e o lançamento surpresa de TR2013 para o Nintendo Switch, por isso a publicação não aconteceu no dia do aniversário em si.

A imagem acima foi editada pelo amigo DoppelZgz, do fansite Raiders of the Tomb.


 
Em outubro, a franquia Tomb Raider celebrou seu 29º aniversário, levando-se em consideração a data de lançamento europeia para Sega Saturn — a primeira a chegar ao mercado, em 25 de outubro de 1996, algumas semanas antes do lançamento em demais plataformas e territórios. A exclusividade temporária não significou muito, uma vez que foi no PlayStation e nos computadores que a franquia encontrou um maior público e se estabeleceu como uma grande propriedade intelectual, consolidando o status de sua protagonista como um ícone cultural para uma geração inteira.

Impacto e legado da franquia são inegáveis, em grande parte pelo seu título original que ajudou a moldar o gênero de jogos de ação e aventura em 3D. Os títulos da extinta Core Design poderiam estar completamente perdidos para o tempo, dependendo de emulação ou de correções desenvolvidas por fãs para garantir compatibilidade dos jogos com sistemas operacionais modernos nos computadores, mas, felizmente, após quase trinta anos, recebemos uma excelente série de remasterizações.

Tomb Raider - Passado

No ano passado, tivemos Tomb Raider I-III Remastered, desenvolvido pela Saber Interactive e Aspyr Media, que surpreendeu ao trazer novos recursos gráficos e modelos completamente reconstruídos na engine original dos anos 1990, na qual cenários eram compostos por blocos e formas geométricas rudimentares. A jogabilidade é intrínseca à forma como esses mundos eram criados, portanto, é uma coletânea que talvez não ressoe com gerações mais novas de jogadores, mas é inegável que o trabalho de restauração é incrível.


Tudo começou aqui...

E, surpreendendo a todos, no início deste ano recebemos a segunda trilogia com Tomb Raider IV-VI Remastered. Na época em que foram originalmente lançados, entre 1999 e 2003, a recepção destes jogos já era mista, em particular do sexto jogo (que marcava a transição da série do PS1 para PS2), e mesmo que a remasterização seja feita de forma ainda mais passional do que da coletânea anterior, esse pacote teria dificuldades de qualquer forma para garantir um resultado comercial similar. Os fãs de longa data, sem dúvida, adoram.

Com essas duas coletâneas disponíveis, toda a primeira era da franquia — correspondendo aos jogos lançados entre 1996 e 2003 — está prontamente acessível para as plataformas atuais (incluindo PS4 e PS5). Não apenas isso, mas todos os pacotes de expansão, lançados exclusivamente para computadores paralelamente às respectivas continuações, finalmente estão disponíveis para jogadores de todas as plataformas.

Com o fraco desempenho comercial de Tomb Raider: The Angel of Darkness em 2003, a então publisher Eidos Interactive transferiu a propriedade intelectual para a Crystal Dynamics, estúdio que até então era responsável e reconhecido pelas continuações da série Legacy of Kain, atribuindo-lhes a árdua missão de revigorar a franquia para que ela voltasse a resultar em lucros para os fechamentos dos anos fiscais.

E é assim que recebemos a segunda era da franquia, composta pela trilogia Tomb Raider Legend, Tomb Raider Anniversary, e Tomb Raider Underworld. Essa repaginada trazia uma protagonista muito mais comunicativa, em cenários muito mais ricos em detalhes e acompanhados de uma jogabilidade fluída e dinâmica, resultando numa experiência linear e acessível. A franquia, finalmente, estava acompanhando os passos de jogos daquela geração (mais especificamente, a trilogia Prince of Persia: Sands of Time).

Tomb Raider - Presente

Curiosamente, entre o interminável quantitativo de jogos que foram lançados para PS2, os dois jogos dessa continuidade que foram originalmente desenvolvidos para aquela geração estão disponíveis no PS4 e PS5 graças ao catálogo de PS2 Classics: Legend foi lançado em junho do ano passado, com uma emulação questionável e de baixa resolução, ao passo que Anniversary foi adicionado ao catálogo agora, no dia 18 de novembro, com um surpreendente salto visual entre os dois jogos.

Legend (PS2 Classics) vs. Anniversary (PS2 Classics)
Não sabemos se esse notável (e extremamente necessário) aumento da resolução interna é resultado de melhorias na emulação ou um mero cuidado maior por parte de quem tenha feito a conversão. Também não sabemos se a ideia da Crystal Dynamics, que passou a ser uma subsidiária do conglomerado Embracer Group em 2022, era oferecer esses simples ports para evitar gastos com possíveis remasterizações, mas, dado o cuidado com os jogos da Core Design, espera-se que essa trilogia seja adequadamente remasterizada no futuro imediato (embora, sim, esses dois jogos tenham sido remasterizados em 2011 para o PS3).

Além disso, é necessário lembrar que Underworld era um título de PS3, cujo suporte ainda não existe em se tratando de retrocompatibilidade oficial, e a versão para Xbox 360 contava com DLCs exclusivos que, até hoje, são reféns da plataforma. Se as remasterizações dos seis primeiros jogos libertaram conteúdos até então exclusivos para computador para todas as plataformas, resta torcer para que o mesmo tratamento seja estendido e aplicado a essa trilogia também.

A franquia encarou nova turbulência na transição de geração do PS2 para o PS3, mas, dessa vez por pressão externa, com o advento de jogos como Assassin's Creed e Uncharted que se enquadravam no mesmo gênero e conseguiam atrair para si os devidos destaques. Além disso, por uma série interminável de problemas financeiros, a publisher Eidos finalmente foi arrematada e todas suas propriedades intelectuais passaram a ser parte da gigante japonesa Square Enix.

Essa mudança deu um tempo para que a Crystal Dynamics, mais uma vez, pesquisasse formas para revigorar a franquia. Adaptar a jogabilidade para os padrões de jogos de tiro em terceira pessoa, delineados por Gears of War, seria simples, mas não bastaria para distanciar-se do principal concorrente. Assim, aos poucos, o jogo se transformou numa mescla de "ação e sobrevivência", com uma narrativa que girava em torno de uma jovem inexperiente tentando sobreviver a uma série de contratempos em um ambiente inóspito e desconhecido.

E esse reboot total surpreendeu: o jogo atingiu a marca de um milhão de cópias vendidas em menos de 48 horas, estabelecendo um novo recorde para a franquia. Lançado em 2013, no fim da geração do PS3, o jogo ainda foi um dos precursores para as incontáveis "edições definitivas" que viriam a dominar os primeiros anos do PS4. Curiosamente, foi apenas a partir das vendas combinadas das duas gerações que a Square Enix mudou seu discurso de que o jogo não havia atingido as metas projetadas, mesmo com o supracitado desempenho de vendas.

Agora, quase 12 anos depois, essa edição definitiva foi relançada, de surpresa, para plataformas Nintendo Switch e Switch 2, em um port feito pela Aspyr Media. A Nintendo é notória por não tentar competir com seus concorrentes em termos de hardware, e seus consoles híbridos sofrem uma desvantagem ainda maior quando comparados aos consoles de mesa, mas o jogo está ali. Dentro das limitações da plataforma, funciona, embora a performance seja bastante instável no Switch original, com diversos saltos na taxa de quadros por segundo e controles analógicos ruins que acrescentam uma dificuldade artificial desnecessária a um jogo que depende de reflexos rápidos. O multiplayer, que por algum motivo foi mantido, causa ainda mais indisposição, mas é seguro assumir que estará deserto e abandonado em uma questão de dias pois nunca foi um modo popular nas outras plataformas.



A série principal ainda teve outros dois jogos lançados nessa terceira era da franquia, com Rise of the Tomb Raider (2015), que foi financiado pela Microsoft em troca de uma tenebrosa exclusividade por um ano inteiro, e Shadow of the Tomb Raider (2018), desenvolvido pela Eidos Montréal e que finaliza a suposta trilogia de origens da aventureira. Esses dois últimos jogos foram lançados para PS4 e Xbox One e, assim como o reboot, podem ser jogados no PS5 através da retrocompatibilidade integral para jogos da geração anterior.

Em 2021, enquanto a Crystal Dynamics ainda trabalhava em conteúdos adicionais para Marvel's Avengers, Tomb Raider atingiu o marco histórico de 25 anos. Na ocasião, o estúdio revelou que planejava "unificar" a franquia, de forma a transformar todo seu legado parte de um cânone, mas que um novo jogo ainda não seria revelado tão cedo. Os primeiros passos dessa nova era, supostamente, aconteceriam na série animada de Netflix, Tomb Raider: A Lenda de Lara Croft, que estreou apenas no final de 2024.

Infelizmente, porém, a animação contradiz a linha temporal e narrativa de eventos acontecidos dentro da própria trilogia de origens, e até mesmo repete certos temas desnecessariamente. Desde que foi anunciada, ainda antes da Square Enix se desfazer de sua divisão ocidental, sabíamos que a série teria duas temporadas, e, também no último dia 18 de novembro, finalmente recebemos o primeiro trailer da segunda temporada. E, a julgar pelo conteúdo, os mesmos temas serão recontados e reciclados mais uma vez. Poderemos conferir pessoalmente no dia 11 de dezembro; uma data um tanto peculiar, pois coincide com a The Game Awards deste ano. Após tantos anos esperando pela revelação formal do próximo jogo da série, seria essa uma dica?


Enquanto não retorna em uma aventura própria, Lara explora horizontes alheios por aí...

Nesses últimos cinco anos, Lara Croft também passou a ser uma das figurinhas mais batidas no que diz respeito a crossovers e colaborações externas. Ela ainda está alguns patamares abaixo de personagens como Sonic e As Tartarugas Ninja — franquias com as quais ainda não houve uma colaboração direta, aliás — mas, considerando-se apenas 2025, por exemplo, vimos nossa garota receber conteúdos em Pinball FX, Dead by Daylight, Fortnite e Rocket League, além de World of Tanks e Hero Wars (esses dois últimos não estão disponíveis para plataformas PlayStation).

Tomb Raider - Futuro

É difícil determinar se o tal cânone unificado ainda faz parte dos planos da Crystal Dynamics, dado o silêncio absoluto sobre o futuro da franquia e também levando em consideração que investidores do Embracer Group possuem suas próprias expectativas a serem atendidas. Sabemos que o próximo jogo usará a Unreal Engine 5 e será publicado pela Amazon Games, e só. Precisamos manter em mente que a própria Crystal Dynamics tem enfrentado dificuldades com essas mudanças: além de frequentes ondas de demissões, a Microsoft cancelou o reboot de Perfect Dark que estava sendo co-desenvolvido pela parceria formada entre o estúdio e a, agora extinta, The Initiative.


“A aventura está à espera”, diz o site oficial.

Independente do escopo desses planos, projetos transmidiáticos continuam a existir. Em janeiro, uma nova minissérie em quadrinhos será publicada pela editora Dark Horse, curiosamente retomando a continuidade de Underworld. E, após quase um ano de burburinhos e especulações, a série em live-action para Prime Video, encabeçada por Phoebe Waller-Bridge, finalmente encontrou sua protagonista em Sophie Turner, mas esse é outro projeto sobre o qual não sabemos virtualmente nada até o momento.

Entre tantas incertezas, é impossível determinar o que o Ano 30 reserva para os apreciadores de Lady Croft, mas aqui estamos. E aqui permaneceremos.

sábado, 15 de novembro de 2025

Coleção: Jogos, edição Deluxe, Dark Horse


Me sinto um tanto quanto orgulhoso em poder compartilhar uma atualização de coleção como essa.
 
Com o recente lançamento em mídia física de IV-VI Remastered, tratei de obter as versões "acessíveis" (ou seja, nada de edições de colecionador, ou Xbox, para mim). Com o devido espaçamento e planejamento, consegui as edições comuns para PS4 e Switch, e a Deluxe Edition para PS5, espelhando minhas aquisições de I-III Remastered no fim do ano passado.

Meus comentários para a versão Deluxe também refletem os de outrora: o livreto de mapas é interessante, mas seu pequeno formato é de difícil manuseio e apreciação; a trilha sonora (todos territórios agora contam com um CD) carece um trabalho de curadoria — farei uma postagem dedicada em breve —; o steelbook é magnífico e usa a tela de loading de The Coliseum em seu interior. A caixa externa, em tonalidade bronze com acabamento lustroso, fica muito bem exposta ao lado da Deluxe da primeira trilogia.
 
Embora não seja um item oficial, tratei de adquirir a reprodução de Atlantean Scion para Saturn. Fiquei impressionado com a qualidade do material, como destaques brilhantes na caixa externa, impressão de alta qualidade tanto no manual quanto nos discos — o pacote inclui um segundo disco contendo o port de Unfinished Business feito por fãs —, e o belo pôster (41x30cm).
 
A figura da Dark Horse surgiu na Amazon local por um preço aceitável, embora ainda absurdo para nossa realidade, e comprei impulsivamente. Dada a demora para atenderem o pedido, cheguei a pensar que seria cancelada pois o preço estava três vezes menor que o costumeiro. Não é perfeita, e a pose é estranha, mas é uma excelente adição a qualquer coleção.

O livro Les Légendes de Tomb Raider: Sur la piste d'une icône, de autoria de Thomas Méreur, foi lançado recentemente pela editora francesa Third Editions e conta a trajetória de nossa franquia favorita. Eu optei pela edição First Print, que conta com uma arte exclusiva (encartada como uma litografia também) e uma capa slip reversível, além de oferecer o livro em formato digital no momento da compra.

Graças a ferramentas de tradução online, pude ler o livro enquanto a versão impressa estava em rota, e devo dizer que ponderei com frequência quem é o público-alvo. Os fãs já sabem de tudo que consta nas 248 páginas do livro, e ademais existe um viés velado a favor da Core Design. A Crystal Dynamics é criticada por jogos que não oferecem experiências autenticamente tombraiderianas, pelas tramas familiares, e pela suposta maculação da franquia. Indiretamente, o autor diz que a franquia passou a seguir modas ao invés de criá-las, imitando jogos que jamais teriam existido sem Tomb Raider...

Existe um número bem limitado de vezes que a roda pode ser reinventada, e a própria Core Design fracassou miseravelmente quando tentou fazer isso. Pense nisso.

Por fim, comprei o Guinness World Records: Edição Gamer 2026, manuseando um livro do estilo pela primeira vez na vida, e nossa garota compartilha a capa com Mario e outros personagens cuja popularidade deveria ser questionada — mas, tal qual os comentários acima, ignore o notável recalque desse blogueiro que xinga nuvens. Num futuro não muito distante, pretendo escrever uma postagem sobre os recordes registrados por nossa franquia.

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Hotfix remove falas de IA em IV-VI Remastered

A Aspyr Media publicou hoje um hotfix para IV-VI Remastered.
 
Trata-se de uma pequena correção para o patch lançado no mês passado, que trouxe a importuna adição de linhas de diálogo geradas por ferramentas de inteligência artificial simulando as vozes das intérpretes originais. Essas linhas de diálogo foram removidas e substituídas por caixas de texto.
 
As notas de atualização trazem um sucinto pedindo de desculpas por qualquer inconveniência que essa decisão tenha causado, mas os estúdios responsáveis não emitiram qualquer tipo de comunicado público reconhecendo o erro. 
 
A polêmica atingiu grandes proporções em especial na França: Françoise Cadol, dubladora oficial de Lara Croft para as continuidades clássica e Legend (e, também, os filmes da Angelina Jolie), recebeu o devido apoio da comunidade e da imprensa, e formalizou um pedido para que o conteúdo fosse removido antes de que uma medida legal fosse tomada.
 
Para quem não conhece, eis um excelente exemplo do talento da atriz francesa, dublando ao vivo uma cena de Underworld durante uma entrevista:
 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

IA pode ter sido usada para gerar falas em AOD


Escrevi o artigo abaixo para o portal PSX Brasil, aqui replicado com autorização. O vídeo acima, do canal Clara Jones, debate a situação e demonstra algumas das falas geradas por inteligência artificial para a versão francesa da remasterização de Angel of Darkness.


 
Tomb Raider IV-VI Remastered, lançado em fevereiro deste ano, recebeu uma segunda atualização de versão alguns dias atrás. As notas de atualização destacam que uma nova leva de “restaurações” havia sido feita em The Angel of Darkness, o que incluiria novos diálogos bem como o conserto de alguns que apresentavam inconsistências no volume da gravação original.

A restauração, porém, alegadamente faz uso de ferramentas de IA generativas para replicar a voz das atrizes, em diferentes idiomas, para produzir novo conteúdo. Alguns fãs detectaram a diferença na atuação e entraram em contato diretamente com as atrizes em questão, como é o caso da brasileira Lene Bastos, que havia dublado a protagonista para a versão localizada do jogo que teria sido lançada originalmente em 2003.

Relatos de usuários apontam que a Saber Interactive e a Aspyr Media podem ter usado ferramentas de IA para replicar vozes das dublagens em diferentes idiomas, não limitado apenas ao português brasileiro mas também incluindo francês, espanhol, italiano, e japonês, sem o consentimento das respectivas atrizes.

Paul Douglas, um dos integrantes da equipe de desenvolvimento do Tomb Raider original, de 1996, condenou o uso de IA desta forma, mas, até o momento, não houve um pronunciamento por parte dos estúdios envolvidos na remasterização sobre o assunto.

GenAI used in this way: Not cool. Not classy.

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— Paul Douglas (@cnhyv.bsky.social) August 16, 2025 at 7:20 AM

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Telas de loading de IV-VI Remastered, pt.3

Na versão de lançamento, IV-VI Remastered não trazia telas de loading propriamente ditas para os níveis de The Last Revelation: elas existiam, mas representavam apenas coordenadas fixas dos níveis em questão para as quais a câmera ficava apontada enquanto o jogo era carregado para a memória do console, exatamente como era no jogo original de 1999.
 
Com a primeira atualização, em abril, diversas artes inéditas foram inseridas para deixar os loadings no mesmo estilo que a versão remasterizada de Chronicles. Esse trabalho foi expandido, ainda mais, com a chegada da segunda atualização, na última quinta-feira, que acrescenta dezesseis novas artes, garantindo que cada nível tenha uma tela de loading única.

Normalmente, eu teria editado a galeria anterior para acrescentar esse conteúdo novo, mas, como as artes são belas demais, sinto que elas justificam o "destaque" de uma nova postagem na página inicial aqui no Raider Daze. (Às vezes, falo como se eu fosse um blogueiro relevante, nossa. Perdão.)

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Libere pistolas douradas em I-VI Remastered

Com a segunda atualização de versão de IV-VI Remastered, fomos agraciados com uma pequena surpresa sob a forma de pistolas douradas para os jogos The Last Revelation e Chronicles — mas também disponíveis para I-III Remastered a partir desta data!

De forma similar às armas douradas de Shadow, é necessário possuir uma conta no "novo" portal oficial tombraider.com. Desde que foi ao ar, sempre existiu a promessa de conteúdos e promoções exclusivas, mas, fora um papel de parede e uma pesquisa, até então não havíamos recebido nada.

Com uma conta devidamente registrada e logada em seu smartphone, vá até a página da Sociedade dos Saqueadores em qualquer uma das coletâneas e clique no botão Registrar. O jogo irá exibir um código QR: leia-o com seu smartphone e aguarde o reconhecimento do seu login, alterando a tela no jogo para uma que indica "Sucesso!" em uma fração de segundos.

Feito isso, as pistolas douradas podem ser ativadas na tela de seleção de trajes.
 

IV-VI Remastered recebe segundo patch

Especulava-se, até mesmo, que a coletânea havia sido definitivamente abandonada, mas hoje, após quatro meses, um segundo patch de correções foi disponibilizado para IV-VI Remastered.
 
Assim como acontecia com a coletânea anterior, as novidades vão além de correções para problemas técnicos: edições cosméticas, em termos de texturas, iluminação, e reflexos, foram feitas para os três jogos; alguns diálogos foram adicionados ou consertados — o que escolhi para ilustrar essa postagem sobre a dublagem em português de Angel of Darkness é especificamente mencionado —; e o Photo Mode recebeu novas opções de filtro.

Como se isso não fosse o suficiente, temos conteúdo inédito também! AOD recebe dois trajes novos, e o traje X-Ray agora é jogável em The Last Revelation e Chronicles. Os dois jogos de PS1 receberam uma curiosa opção para alternar o estilo da trança e agora passam a indicar os requisitos para destravar os trajes extras. Por fim, TR4 recebe mais uma onda de telas de loading.

E, ah! Agora podemos destravar pistolas de ouro (que valem mais do que dinheiro) nas remasterizações dos cinco — sim, todos os cinco — primeiros jogos. Escreverei uma postagem dedicada para isso, porém, que espero publicar aqui no blog Raider Daze ainda hoje.

Você pode conferir as notas de atualização no site de suporte técnico da Aspyr, ou no fansite Raiding the Globe, que os detalha de forma mais minuciosa.
 
[Atualizado em 15/08/2025:] Indexei os novos trajes e telas de loading no blog. Ufa!

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Weta revela figuras de IV-VI Remastered

Exatamente como esperávamos, o estúdio Weta Workshop está exibindo algumas de suas novas peças na San Diego Comic Con, dentre as quais estão as três figuras baseadas nos jogos de IV-VI Remastered. O que não está dentro do esperado, porém, é o preço superfaturado.
 
As miniaturas possuem poses dinâmicas e bases relativamente altas, mas a maior das três peças mede 21cm de altura. Ou seja, são pequenas. E, mesmo assim, cada uma tem o preço inicial de USD 200. Elas não devem chegar ao mercado simultaneamente: a de Chronicles deve ser lançada no final deste ano; a de The Last Revelation, no início de 2026; e a de Angel of Darkness ainda não tem data prevista.

De qualquer forma, siga os links acima para conferir mais imagens e detalhes no site do estúdio. Sonhar ainda não custa nada, mas a cada novo anúncio está com mais cara de tortura do que de qualquer outra coisa, francamente falando. Trágico.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Curiosidade: Missivas promocionais de AOD

Graças ao portal Tomb Raider Arabia, tomamos conhecimento de um curioso item.
 
Gerações atrás, os chamados kits de imprensa eram especialmente comuns para jogos e filmes grandes, uma vez que a internet não era o monstro que é hoje, e publicações como revistas os recebiam como materiais promocionais. Esse tipo de "mimo" hoje é direcionado à influenciadores que costumam soltar gritinhos em transmissões ao vivo ou instigar campanhas de ódio contra os próprios desenvolvedores, mas vamos relevar essa mudança de paradigma. (Sim, sou um velho ranzinza.)

Neste caso em questão, trata-se de uma série de correspondências e cartões postais que foram enviados como parte da campanha promocional de Angel of Darkness. Escritos sob o ponto de vista de Lara Croft, as mensagens segmentam partes da história do jogo: Von Croy pedindo para ela visitar Paris, mesmo depois do que ocorreu no Egito; a presença de um assassino em série; sua partida para Praga; etc.

Suspeito que nenhuma das cartas físicas originais exista na data atual (a menos que tenham caído nas mãos de algum colecionador dedicado da franquia, provavelmente foram perdidas para o tempo), portanto fica registrado um agradecimento mais do que especial para Ahmad pelo seu empenho em restaurar e reconstruir fielmente esse tipo de material para compartilhar com os demais fãs — da mesma forma que ele havia feito com o kit de imprensa de Chronicles poucos meses atrás.
 
Você pode conferir as cartas através deste link.
 
[Postagem escrita em 09/07/2025.]

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Trailer promove bundle de I-VI Remastered

 
Se por algum motivo você não adquiriu as recentes remasterizações de Tomb Raider, saiba que um pacote, devidamente intitulado I-VI Remastered, está disponível e contempla os seis jogos da saga clássica da Core Design.

Para promover esse novo pacote digital, o trailer acima foi divulgado, remixando cenas dos trailers antigos. É curioso que muitos dos ambientes exibidos nesses clipes sofreram extensivos retoques e possuem um visual completamente diferente após os patches de atualização, mas vamos relevar.
 
Uma edição física não foi anunciada, mas suspeito que seja apenas uma questão de tempo, considerando o histórico recente. Por ora, fica o registro como mera curiosidade.

[Postagem escrita em 30/05/2025.]

terça-feira, 20 de maio de 2025

Edição Deluxe de IV-VI Remastered é revelada

Há duas semanas, a Limited Run Games revelou a edição de colecionador de IV-VI Remastered. Entre ontem e hoje, diferentes lojas ao redor do mundo passaram a listar em seus catálogos a edição Deluxe dessa coletânea, a ser lançada em setembro deste ano.

Ela segue exatamente o mesmo formato que sua equivalente de I-III Remastered: o disco do jogo, em uma caixa externa exclusiva, acompanha um steelbook, um livreto contendo mapas dos níveis, e um disco contendo os "Greatest Hits" da trilha sonora. Essa edição estará disponível apenas para Switch e PlayStation 5, mas não encontrei uma listagem americana para identificar o preço.

Novamente, resta torcer para que a curadoria da trilha sonora seja adequada desta vez, e ainda não sabemos se será diferente da trilha que estará na edição de colecionador — sequer temos esse conhecimento sobre as diferentes versões da trilha de I-III, haja visto que sua respectiva edição de colecionador ainda não foi lançada.

O jogo básico em mídia física deve ser comercializado normalmente nas versões Switch, PlayStation 4 e PlayStation 5. Ou seja, versões para Xbox e PC somente existirão através da Limited Run Games, cujo período para reservas está aberto até a metade do próximo mês.

sábado, 17 de maio de 2025

Pinturas Obscuras de AOD em alta resolução

Representando um dos elementos-chave para a trama de Angel of Darkness, a série de Pinturas Obscuras será oficialmente disponibilizada em formato físico pela primeira vez com a vindoura edição de colecionador de IV-VI Remastered.

Entretanto, nossa realidade de cidadãos de terceiro mundo dificulta essa aquisição, e canso de repetir isso por aqui. Conversão monetária obscena, custos de frete internacional, impostos abusivos... Razões para não seguir com esse tipo de aquisição certamente não nos faltam!

Pois bem, algum tempo atrás o usuário ModdingAom compartilhou na comunidade r/TombRaider as artes na melhor resolução que já vi até o presente momento. Ele não cita a fonte, mas suspeito que sejam as próprias texturas jogo aprimoradas com upscaling de inteligência artificial.


Eu nunca escondi meu desdém pelo jogo em si, mas segue abaixo um resumo de informações retiradas do próprio jogo para dar um contexto maior a esta postagem.
 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Confira edições físicas de IV-VI Remastered

A Limited Run Games, em parceria com a Crystal Dynamics, revelou hoje as vindouras edições físicas de IV-VI Remastered, incluindo uma nova edição de colecionador. Como prática costumeira da loja, o período para fazer as encomendas será restrito entre 13 de maio e 15 de junho, com envio previsto para outubro (ou janeiro, para a edição de colecionador).

A edição padrão será listada por USD 30 e conta com versões para PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, e Xbox (One e Series). Já a edição de colecionador custará USD 80, com a opção exclusiva de versão para PC além das já listadas acima, e contemplará os seguintes itens: caixa em formato trapezoidal, litografias das cinco Pinturas Obscura, chaveiro metálico das pistolas, pequenos broches dos artefatos Amuleto de Hórus e Íris, e uma trilha sonora "selecionada" em CD.
 
A edição está mais próxima da edição de colecionador da Lara Croft Collection do que da de I-III Remastered, honestamente falando, e o único real apelo para mim estaria na trilha sonora (e talvez no chaveiro). Não vou arriscar importar, considerando o que aconteceu na última vez que tentei comprar diretamente pela LRG, mas vou ficar de olho em possíveis oportunidades...

Neste momento, porém, fica a dúvida: teremos uma edição especial mais acessível, tal qual a Deluxe? E igualmente importante, a mídia física comum estará em circulação posteriormente, ou será restrita a essa loja? Lembrando que a versão básica de I-III para Xbox existia apenas pela LRG e circula por preços obscenos em comparação às demais versões. Seria cômico se não fosse trágico.

sábado, 19 de abril de 2025

Telas de loading de IV-VI Remastered, pt.2

A primeira atualização de versão para IV-VI Remastered, disponibilizada ontem, inseriu belas artes de loading para The Last Revelation. Até então, o jogo apenas buscava coordenadas específicas do nível para as quais apontar a câmera enquanto o próximo nível era carregado, exatamente como fazia em sua versão original de 1999. 

Meu TOC está violentamente sussurrando que eu deveria adicionar essas novas artes à postagem dedicada às telas de loading destas remasterizações, mas tratam-se de artes bonitas demais para não receberem a exposição temporária da página inicial do blog. Meu número de acessos é cada vez menor, então é tudo trivial e irrelevante, tornando esse um conflito meramente interno.

De qualquer forma, vale destacar que duas das artes fazem referência à artes oficiais de Legend — seria essa uma homenagem simbólica dos fãs-desenvolvedores, ou talvez um imaginário indício de uma futura coletânea? Hmm.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

IV-VI Remastered recebe patch de correções

Após dois meses desde seu lançamento oficial, IV-VI Remastered finalmente recebeu seu primeiro patch de correções e atualizações.
 
As notas de atualização detalham melhor as mudanças, mas de maior relevância eu diria que são os seguintes pontos: todos os trajes de I-III Remastered podem ser equipados em The Last Revelation e Chronicles; muitos retoques foram realizados em texturas e iluminação; TR4 agora conta com artes inéditas em suas telas de loading; e Angel of Darkness recebeu modelos remasterizados para personagens e objetos que não haviam sido tocados anteriormente, além de um tutorial para combate corporal em St. Aicard's Church.

Muitos jogadores relatavam problemas ao jogar a versão de PS4 no PS5, que incluíam desde travamentos até a perda total de jogos salvos. Aparentemente, esse problema foi corrigido, portanto num futuro próximo pretendo revisitar essa tragédia, mais uma vez, em busca dos troféus da versão de PS4.

E, assim que a saúde mental permitir, atualizarei as galerias de trajes e de telas de loading com o conteúdo adicional.

terça-feira, 15 de abril de 2025

Youtooz faz teaser para figura de Lara Croft

Ainda mais itens colecionáveis de Tomb Raider estão a caminho...
 
Desta vez, receberemos uma figura da linha Youtooz inspirada por The Last Revelation, o melhor dos três jogos inclusos no recente lançamento de IV-VI Remastered. Por ora, tudo que temos é a silhueta acima, sequer sabemos se será apenas uma figura ou uma série como a fabricante costuma fazer. 
 
Uma pesquisa rápida sugere que o preço ficará entre 20 e 35 USD, a ser multiplicado por 10 para chegar ao preço em BRL que normalmente são comercializados em nosso território. Complicado. 
 
[Atualizado em 18/04/2025:] O boneco mede cerca de 10cm e custa USD 30. As vendas iniciam em 22 de abril e a figura deve permanecer listada até outubro. Mais imagens estão disponíveis no site do fabricante.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Kit de imprensa de Chronicles traduzido

É com bastante alegria que trago hoje esse conteúdo (exclusivo) para o blog Raider Daze.

Dias atrás, o portal Tomb Raider Arabia publicou, através de suas redes sociais, uma reconstrução do kit de imprensa de Chronicles. O trabalho faz jus ao item original, replicando seu teor perfeitamente. Eu queria divulgar esse trabalho por aqui, mas arrisquei ir além — e, com autorização e apoio do administrador do portal, estou oferecendo uma versão traduzida para o português brasileiro. Como de costume, adaptei alguns trechos de forma a torná-los mais naturais em nosso idioma, sem jamais comprometer o contexto original.
 
O kit original é um item de tremendo valor para os poucos colecionadores que o possuem, uma vez que seu propósito era difundir entre a imprensa o jogo na ocasião do lançamento, ainda no ano de 2000. Kits de imprensa dificilmente chegam até os fãs e acredito que sejam produzidos em quantidades bem baixas. Nesse caso específico, volta e meia as mesmas fotos ressurgem nas redes sociais, que você pode conferir na Tomb Raider Wiki caso tenha interesse.

Por fim, a carta de abertura fala sobre um artefato que Lara Croft gostaria que ficasse nas mãos certas. As fotos no link acima mostram um cartão-resposta com algumas perguntas sobre os textos contidos no documento que é descrito como "diário secreto" da aventureira. Não existem registros sobre um possível ganhador ou mesmo uma fotografia de tal item, até onde sabemos.

Você pode fazer download do arquivo traduzido através deste link. Espero que gostem. Deixo aqui registrados meus agradecimentos mais do que especiais para o amigo Ahmad.

domingo, 23 de março de 2025

Pensamentos pós IV-VI Remastered

Uma das análises de IV-VI Remastered bem descreve o que eu sinto, de forma geral, quanto aos jogos inclusos nessa coletânea: eles não são essenciais. Ao contrário de I-III Remastered, os jogos presentes nessa segunda leva de remasterizações da Aspyr não eram exatamente populares quando foram lançados décadas atrás, e temo que voltar a colocar os holofotes em um dos jogos em particular não será exatamente vantajoso.

Eu já havia escrito e publicado uma análise no portal PSX Brasil na ocasião do lançamento, portanto nessa postagem vou me limitar a pensamentos mais específicos que talvez não fariam sentido para o público em geral — e provavelmente não são condizentes com pensamentos de outros fãs.

The Last Revelation é gigantesco e maçante. Tentando entrelaçar com outras atividades e atribuições, fiquei semanas ali: após a primeira partida, ainda joguei outras duas partidas completas em busca dos troféus faltantes. Quisera eu estar na minha adolescência, quando o conceito de tempo parecia tão menos imponente.

Essa remasterização insere movimentos e animações inéditas, algumas das quais pouquíssimo usei — virar automaticamente para pendurar-se em beiradas aos seus pés chega a ser inútil, afinal estamos programados para simplesmente rolar ou recuar da distância certa. Já outros movimentos se provam indispensáveis, como cambalhotas enquanto rasteja ou para sair de espaços estreitos (ambos já existiam em I-III Remastered), e, agora, podemos virar enquanto pendurada em barras de teto. 
 
Outro truque "que não está no gibi" é apertar Caminhar duas vezes rapidamente no inventário para ir imediatamente até os óculos de sol, que centralizam opções de salvar e carregar a partida, além da indispensável tela de estatísticas. Isso é importante pois, principalmente em TR4, a quantidade de itens que Lara carrega simultaneamente beira o ridículo.

Salvo algumas exceções, é seguro dizer que visualmente falando o trabalho continua absolutamente excelente — na verdade, talvez esteja até melhor que a trilogia anterior. Os efeitos de iluminação estão magníficos, como as sombras dos pilares em Karnak ou raios solares ocasionalmente penetrando os céus partidos em Gizé, complementados com pequenos detalhes como partículas de areia voando.
 
Essa nova roupagem é deslumbrante, e chega a ser engraçado alternar o modo gráfico para o visual "original" pois esse agora transparece uma sensação de ambientes estéreis, vazios e sem vida. Não é necessariamente uma verdade universal, mas a remasterização tornou até mesmo Cairo um lugar mais tolerável e interessante de se navegar — da mesma forma que Londres foi essencialmente salva na remasterização de Adventures of Lara Croft.
 

 
Uma mudança que eu não aprovo é fazer com que Lara sofra dano de suas próprias granadas. Sempre me incomodo quando autores ativam esse recurso em seus níveis do Level Editor, e aqui não é diferente. Isso torna o lança-granadas basicamente um peso morto. Felizmente, por algum motivo ou outro, essa lógica não se aplica à besta, que por si sempre foi uma opção melhor de qualquer forma pelo alcance e velocidade das flechas explosivas.

Eu ainda considero Atlantean Scion o epítome e o melhor dos jogos da saga clássica, mas TR4 é o que conta com a melhor história e narrativa — algo que até então eu erronamente atribuía a AOD. É óbvio que eles queriam dar um grande desfecho para a protagonista, mas a ganância da Eidos falou mais alto a longo prazo (felizmente?).

E aí entra Chronicles. A história do jogo é fraca, desrespeitando o cânone ao colocar aventuras em datas contraditórias a eventos já estabelecidos nos jogos anteriores do próprio estúdio, e acho que é válido considerá-las como uma série de "e ses...". Eu acho que a abordagem de multiverso seria ideal para a franquia como um todo, considerando a quantidade de versões de Lara Croft que já vimos entre as diferentes mídias pela qual a franquia já passou. O conceito de Reflections não era ruim, honestamente, mas acho que as diferentes iterações não precisam interagir entre si.

Ou, no caso de TR5, podemos usar um argumento que ganha popularidade entre os fãs: tratam-se de recordações das aventuras sendo contadas por amigos de Lara, e talvez eles estejam confundido datas ou exagerando certos detalhes, afinal não estavam ao lado da moça o tempo inteiro...

Visualmente, a remasterização também faz um excelente trabalho em dar uma vida nova a esses cenários. Além da quantidade menor de níveis, os ambientes tendem a ser menores e mais lineares, talvez por isso o esmero seja mais evidente — mas não se engane, certos níveis de TR4 contam com tanto carinho quanto, dentro do que a limitação de tantos túneis e areia permitem.


E, por fim, Angel of Darkness. Joguei do começo ao fim, pela primeira vez, a versão localizada em português para poder escrever a análise para o PSX Brasil, e me peguei rindo muitas vezes com o nível de ridículo. Mas não estou desprezando o trabalho de localização: sob um olhar mais crítico, a performance original não é em nada melhor, justamente por conta de frases e diálogos esdrúxulos. Pérolas como "minhas pernas estão mais fortes agora" jamais deveriam ter saído do papel.
 
Conforme você progride na campanha, é evidente que a história sofreu incontáveis cortes, mas a edição final não se sustenta sozinha. Para provar sua inocência, Lara parte em uma cruzada vingativa contra o mundo inteiro. E em lugares públicos, mas, felizmente, Paris está deserta. O tal do Monstrum — Eckhardt? Karel? Quem sabe, afinal — está sempre ao seu redor sem que ela jamais suspeite. E Karel ser um transmorfo, capaz de mudar até mesmo de roupas instantaneamente, torna toda a história digna de esculacho. No passado, eu dizia que a história era uma das poucas coisas boas que o jogo tinha. Não mais.
 
A quantidade de furos no roteiro cresce a medida que o jogo avança. Boaz, desesperada, afirma que não pôde exterminar o proto-nefilim pois precisava do fragmento de periapto que estava sob posse de Eckhardt para isso, e, de fato, Kurtis só conseguiu abater a criatura quando a apunhalou com um de seus fragmentos. Pouco mais tarde, os três fragmentos são usados para eliminar o alquimista Eckhardt — que apesar de ser admirador da raça, por si não era um nefilim —, momentos antes do último nefilim vivo revelar sua real forma. 
 
Na primeira interação entre os dois, Lara já o conhece por nome e tenta usar lógica e razão contra ele, tentando convencê-lo a matar o espécime adormecido logo acima deles. Ele recusa, obviamente. Mas, para sorte de Lara, simplesmente encostar a luva de Eckhardt na perna da criatura adormecida não apenas cria um raio de luz destrutiva, como tal raio também segue e atravessa o outro nefilim que até então estava voando em círculos no local. Zero fragmentos de periapto envolvidos no processo. Baita raça superior. Mesmo o "fracassado" Proto foi tão mais resistente...
 
E tendo visto a forma como Eckhardt (ou Karel?) opera, o que diabos atacou Arnaud afinal? Foi o único sobrevivente dos ataques, mas não parece ter sido nem profanado, como Von Croy, e nem simplesmente carbonizado, como Luddick. Ao invés, de alguma forma, teve parte de seu corpo transformada em algo completamente diferente de tudo no jogo. E a rapidez com que isso é relevado só realça como nada nesse jogo funciona.

Aliás, a própria Lara de forma geral se comporta de forma emo e bipolar o jogo inteiro. Entendo que muitos fãs da franquia sintam algum tipo de conexão ou nostalgia por esse jogo em particular, ou pela mudança comportamental da protagonista — certamente agiam da mesma forma em 2003 —, mas não consigo entender. E, honestamente, não quero. Esses mesmos fãs costumam ser irredutíveis, e francamente todos estamos velhos demais para esse tipo de discussão sem fim que torna a comunidade como um todo praticamente intolerável.
 
Mesmo com as restaurações que o jogo recebeu, continua sendo o mesmo jogo de outrora, mas os controles modernos o tornam ligeiramente mais palatável. Ligeiramente. Continuei dependente do recurso de salvamento e carregamento rápido para praticamente todos os pulos e seções de plataforma, pois muitas das animações dos protagonistas continuam lerdas e irresponsivas demais. Isso sem falar no combate, que continua tão ruim quanto eu lembrava. De forma geral, simplesmente não é um jogo divertido. (E no New Game+, então, menos ainda.)
 
 
Ao contrário das outras cinco remasterizações, visualmente AOD pouco parece melhor que a versão original. Na maior parte do tempo, parece apenas ser um pacote de texturas de alta definição, com exceção dos modelos de (alguns) personagens. Quando eu conferi Soul Reaver 1 & 2 Remastered, citei que isso poderia vir a acontecer com base no pouco que víamos no material promocional do jogo.
 
Enfim, como eu disse lá no começo, hoje tenho certo receio do que a Crystal Dynamics planeja para o futuro da franquia, intencionalmente colocando holofotes nesse "injustiçado" título — e recentemente ainda tivemos uma skin para Fornite, e suspeita-se que existirá uma Funko Pop com esse visual em breve. Se eles pretendem retomar essa história com a suposta "unificação", já que claramente é uma ponta solta (mesmo que o pouco que esteja ali careça de muitas revisões), espero que façam isso em livros licenciados, ou numa minissérie animada ou em quadrinhos, ou até mesmo em um áudio-drama para o Spotify. Por favor, não arrisquem submeter os jogos a essa mancha uma segunda vez.

De fãs para fãs
Alguns dos novos nomes que se uniram à equipe dos fãs que trabalharam em I-III Remastered incluem Roli (que propôs TR4 HD no passado), Ian Turner (artista), e reborninshadows (Restoration Project, de AOD).

E falando em futuro, seguindo o que aconteceu até aqui, o próximo passo seria remasterizar a saga Legend para fevereiro de 2026, talvez finalmente combinando todos os conteúdos exclusivos das diferentes versões dos jogos em um pacote definitivo, mas além disso eu torço por uma coletânea similar a Jurassic Park: Classic Games Collection ou Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection, reunindo todas as versões dos jogos de Tomb Raider lançadas para consoles portáteis (e, por que não, para celulares) em um pacote para consoles modernos, garantindo a acessibilidade a todos. Esperar para ver, e ver para crer.