"Acredito que somos mais do que a nossa dor."
E chegamos ao episódio final de The Legend of Lara Croft. Em The Bringer of Death, Exu finalmente faz as pazes consigo mesmo e
veste sua máscara durante o festival. Com a possibilidade de abrir portais
de teleporte, ele leva Sam e Lara para outro lugar, sem saber que Fig estava
por perto. Testemunhando o poder, Fig confirma para Mila que o homem é um orixá.
Lara relembra que Exu não era temido por ser um simples orixá das encruzilhadas,
zelando pelos viajantes, e ele esclarece sua reputação: no
passado, outros orixás se uniram para destronar Olodumarê, mas Exu defendeu seu pai e foi gratificado com a benção de replicar e multiplicar os poderes
de outros orixás. Dessa forma, ele poderia impedir qualquer orixá que ficasse
poderoso demais, e, da mesma forma, poderia expandir o alcance de qualquer
poder caso necessário.
Ao contrário de Exu, Lara estava bem ciente que Fig esteve no encalço deles o
tempo todo. Em preparação para uma nova defesa, eles retornam para a cidade
perdida, onde os residentes passam a curvar-se perante o orixá reformado. Zip informa
que satélites captaram o avião de Mila em rota, então elas precisam
agilizar a estratégia. Os residentes se preparam para guerra, e oferecem para
Lara e Sam armaduras de olumo.
Quando Mila chega ao local, ela faz um discurso que atinge o ego de Exu,
acusando ele de ser um covarde e falando que a história está fadada a se repetir. Ele
recua momentaneamente por um portal, sem maiores explicações, e Lara então solta o verbo contra Mila. A milionária afirma que Lara é
uma pessoa incapaz de confiar em outras pessoas, e apenas engana seus próprios
amigos. Nesse momento, Exu retorna, com Iemanjá e Taiwo, e Lara usa esse retorno como prova para refutar o
julgamento de Mila.
Eles recuam para outra área da cidade onde Exu elabora um plano para reaver as máscaras sob posse de Mila. Durante um conflito épico,
com coisas incríveis como Exu finalmente transformando-se numa galinha e Lara dando um grito de
guerra em iorubá, Mila é tomada por uma fúria ensandecedora e seus poderes atingem até mesmo seus aliados. A ofensiva coletiva dos
orixás é excelente, e, com a amplificação dos poderes providenciada por Exu,
Mila finalmente encontra seu merecido fim. Exu agradece a confiança que as garotas depositaram nele nesse período,
enquanto a população celebra a vitória, e então as teleporta de volta para a Mansão
Croft.
Mais tarde, enquanto Lara expõe a armadura de omolu que recebeu dos locais,
ela recebe uma ligação de Jonah dizendo que talvez a mansão esteja sendo
roubada. Lara havia enviado para Camilla as coordenadas de Mehrak, que é preso e tem sua coleção apreendida — e Eva, curadora de
artefatos da guilda de Alexandria (Living Midnight), fala que os artefatos serão devidamente repatriados, bem
como a generosa doação que Lara fez da coleção de seu pai.
Nas cenas de encerramento, vemos Exu escalando até o topo de uma montanha com
as máscaras dos orixás mortos para conferir com seu pai; Olodumarê dissolve as máscaras e fala que é hora de reconstruir. E, em outro momento, no
Egito, Fig se encontra com uma jovem vingativa e obcecada por Lara Croft, que
não apenas diz que sabia que Mila não daria conta do recado mas também afirma que
ela, sim, sabe como lidar com a aventureira...
Uma única observação, que talvez não se qualifique como um easter egg, mas
enfim, vou deixar aqui registrada. Quando Zip informa que vai visitar a África, para visitar locais recomendados por Exu, Abby entrega uma caixa de lanches da Pickled Shortbread Café — o
restaurante que ela e Jonah inauguraram na primeira temporada.
E, ah, essa não é a primeira vez que Lara se desfez da coleção do grande Richard Croft...
[ * * * ]
Com a temporada encerrada, vou agora compartilhar comentários e opiniões mais pessoais sobre a temporada, bem como a série, de forma mais geral. Se você é leitor do blog Raider Daze, já deve estar cansado de saber. Caso contrário, vou repetir mais uma vez: sou um fanboy facilmente
impressionável, citando as exatas palavras que usaram para me descrever (e que perderam qualquer conotação negativa que um dia já tiveram pois agora são minhas).
Eu acho uma verdadeira lástima que tanto os supostos fãs quanto a população
em geral tenham caído nas armadilhas de influenciadores e das redes sociais. A primeira temporada
sofreu um bombardeio de análises negativas de pessoas que sequer haviam assistido a série, baseadas no simples pretexto de que Lara poderia ter um romance com outra mulher (afinal Camilla segurou brevemente sua mão no trailer, que ousadia!). Não poderia estar mais longe da verdade,
mas nos dias atuais, as pessoas parecem adorar um problema inventado. E, como falei em outras ocasiões, vivemos numa sociedade onde o ódio une as pessoas.
A repercussão desse bombardeio é evidente. A série teria sido cancelada de qualquer forma, mas não é mera coincidência que existam apenas três opiniões da segunda temporada (todas positivas, aliás) no agregador
Rotten Tomatoes. De qualquer forma, em minha opinião, a segunda temporada é ainda mais
divertida e empolgante que a anterior.
Reitero o que disse anteriormente quanto à minha ignorância sobre a cultura dos orixás, então não posso argumentar se a representação é justa e fiel, mas o que posso dizer é que a caracterização dos personagens é excelente — em especial, Exu e Iemanjá, que conseguem roubar a cena sem esforço.
Eu particularmente gostei da forma como Lara foi representada na série, tanto em seus momentos mais introvertidos quanto nos que ela consegue manter uma relação interpessoal mais normal com outros personagens. Em uma entrevista, a roteirista Tasha Huo fala que Lara assume um papel "de apoio" pois, embora queira ajudar, ela certamente sabe menos sobre a cultura do que os próprios locais, e eu considero essa abordagem correta e bastante funcional. Em momento algum tive a impressão de que Lara havia sido reduzida a uma personagem secundária, como li por aí. (As pessoas adoram um problema inventado...).
Sam poderia facilmente ser substituída por qualquer outro personagem, ou até mesmo um personagem novo, e a diferença teria sido a mesma. Aqueles que já tinham afinidade pela personagem agora possuem ainda mais motivos para gostar dela; e, ao mesmo tempo, aqueles que a desprezavam já manifestavam sua revolta desde o fim da primeira temporada.
Mila e Fig são excelentes. Acho que Mila funciona melhor como vilã do que Deveraux, da primeira temporada, e quando os orixás finalmente conseguem retribuir toda a dor que ela causou, é impossível não sentir uma certa satisfação. Deveraux foi simplesmente detido e preso, ao passo que Mila teve um destino final muito mais brutal.
As cenas de ação de forma geral são muito bem elaboradas, culminando no conflito épico que vemos nesse último episódio. O uso de divindades com poderes sobrenaturais funciona perfeitamente dentro do que a franquia estabeleceu nesses trinta anos (Natla, Seth, Eckhardt, Himiko, Jacob...), e a existência de várias máscaras em locais diferentes acrescenta aquela camada extra característica de "tomb raider".
Por fim, a tal da unificação continua tão elusiva e distante quanto no início, quando fomos informados que a série animada "daria os primeiros passos". Dito isso, quero deixar meu manifesto aqui que é cruel deixar uma ponta solta no final, especialmente pois sabíamos que seria a última temporada da Netflix. Para encerrar essa série de postagens de LOLC, escreverei um breve artigo sobre isso nos próximos dias.


