quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Jornadas

Tomb Raider: Journeys foi uma minissérie composta por 12 edições, com um arco deveras confuso paralelo às edições regulares mensais. Curiosamente, chegou ao Brasil muitos anos mais tarde, publicada em quatro partes pela editora Panini sob o título Busca ao Tesouro.

A história começa com Lara velejando, sozinha, para sua próxima expedição no Peru. Ao adentrar uma densa névoa, é abordada por um navio pirata — Revenge of the Bonny Raider — que parece ter saído diretamente do século XVI. Sem alternativa, Lara une-se aos piratas do barco e logo avistam a embarcação Dora del Sol, que os piratas planejavam pilhar.

Num confronto de canhões, a Revenge perde. Eternamente. É a maldição do holandês voador: como morreram durante a busca, estão condenados a repetir esse fracasso como fantasmas. Após reiniciar o ciclo uma vez, quando Lara ouve que a Dora del Sol foi avistada, ela, ciente da maldição que assola a embarcação e de como as coisas se desenrolariam nesse confronto, elabora uma estratégia de emergência e o capitão, Kagan, concede-lhe o crédito pela captura e pilhagem da Dora del Sol. Finalmente cumprindo seus destinos, a névoa se dissipa, assim como as duas embarcações. 

Tudo que resta no presente é uma moeda, que Kagan havia encontrado em El Dorado, delineando o próximo destino de Lara. Quando o mar a leva até a orla peruviana, ela é socorrida por um pescador. Após ver a moeda, ele se recusa a ajudar Lara — mas ela o convence que o tesouro poderia tirar seu vilarejo da miséria. Um menino, ouvindo a conversa, afirma saber onde fica a cidade perdida.

Lara e o pescador entram na cidade, mas são seguidos por mercenários. Dentro da fabulosa cidade, ela encontra dois medalhões de ouro, mas não toca em um terceiro pois as inscrições sugerem que ele ativaria uma armadilha. Minutos mais tarde, porém, os mercenários chegam ao mesmo lugar e decidem tomar esse medalhão, causando a destruição da cidade perdida. Lara deixa um dos dois medalhões para o pescador e parte.

Depois, na Mansão Croft, Lara está tendo aulas de tiro com arco e seu assistente traz dois visitantes: representantes de um grupo de arqueólogos que compra sítios para preservá-los, mas que atualmente encontram-se sem recursos. Lara descarta a ideia de simplesmente despejar dinheiro na mão dos homens, mas decide ajudar quando eles alegam ter encontrado as cidades de Sodoma e Gomorra.

Gomorra estaria prestes a ser vendida para um homem, chamado Kagan, que pretendia construir condomínios no local e, assim, quaisquer vestígios que confirmassem conexões entre as duas cidades poderiam ser perdidos na gentrificação do local. Lara invade os resquícios de Gomorra e encontra o Talismã do Deus Sol, assim reanimando todos os mortos da cidade. Kagan desiste da compra ao ver um exército de esqueletos, e após isso Lara devolve o artefato ao seu devido lugar para que os mortos voltem a ser apenas pó. Kagan pede para seu assistente descobrir tudo que puder sobre Lara Croft; uma vez que seu real interesse na cidade era, de fato, apenas encontrar o talismã. Ah, ele também é adepto em tiro com arco. 

Uma semana mais tarde, em algum local na Argélia, Lara parte para escavar uma carruagem. Existem duas alternativas para chegar até o sítio: um campo minado ou um pântano. Lara, obviamente, vai pelo campo minado. No meio do percurso ela encontra um bode, perdido, e decide salvar o animal, mas é imediatamente alvejada pelos homens de Kagan, que flanquearam-na pelo pântano.

Quando ela finalmente relembra de onde o conhece — do encontro a bordo da Revenge —, Lara desmaia. Os capangas de Kagan iniciam um motim, decidindo que não trabalham mais para o homem. Forçados a escavarem juntos, Lara e Kagan encontram vestígios de uma mulher junto a uma carruagem. Aproveitando a distração, eles atacam os motineiros e, quando Kagan experiencia um déjà vu, é ele quem desmaia. Quando desperta, percebe que Lara o deixou para trás, amarrado junto aos seus capangas.

Mais tarde, em um reencontro da turma de 1992, após vivenciarem o desejo do último portador da coroa do Rei Arthur (vide edição #½), um velho conhecido de Lara, agora ministro inglês, tem uma missão para Lara: recuperar uma lança que foi roubada do museu britânico há dois meses. Ele não sabe explicar a importância da lança, mas um fantasma anuncia se tratar de uma lança espiritual. Tal fantasma se apresenta como Winston Churchill, vindo diretamente do inferno, informando que a lança pode estar em algum lugar do submundo dos Maori, na Nova Zelândia. Entrar no submundo pode ser uma viagem sem volta, mas Lara aceita o desafio.

No meio do nada, na Austrália, em uma cidadela que sequer possui nome, Lara procura por um contato que sabe a localização da tribo Maori, mas é informada que precisa provar que merece tal informação. Num duelo nos padrões de faroeste (novamente, aliás), ela derrota o homem mas se recusa a matá-lo, pois havia jurado à um amigo, prestes a morrer, que jamais mataria novamente. O homem revela o local da tribo e diz que Lara deve procurar por um Akio.

De alguma forma, já no submundo Maori, está Kagan com a Lança dos Sonhos — o artefato neozelandês que Lara busca a pedido do museu britânico. De acordo com a tribo, a lança permite reviver os mortos e pode destruir o sutil equilíbrio entre o submundo dos sonhos e a realidade. Como Lara não é nativa da tribo, ela precisa de um moko temporário para que possa visitar o submundo.

A tribo é contra a participação de uma forasteira nos seus rituais, mas Akio afirma que se ela vencer o melhor guerreiro da tribo, será digna de ser integrada à tribo. O guerreiro em questão é ele próprio. Lara recusa lutar até a morte, de forma a honrar sua promessa, mas derrota Akio. Ele se oferece para ser seu guia no submundo e explica que o moko representa a forma como os ancestrais vêem a pessoa; uma representação das encruzilhadas da alma humana.

Dentro do submundo, Lara lembra o futuro. Não existe cansaço, fome, ou dor, e o tempo flui de forma diferente. Enquanto acampam, os dois ouvem um grupo se aproximar. Akio subjuga todos, mas Lara reconhece o último: Myles, o amigo e mentor a quem ela havia feito a promessa momentos antes de ele morrer. Lara carrega o peso da culpa pois ele morreu indevidamente numa emboscada que havia sido armada contra ela.

Desarmada nesse plano existencial, Lara é orientada por Akio a confiar na fé ao invés nos sentidos, e dessa forma ela encontra uma Espada Invisível. Nesse momento, Kagan encontra Lara e derruba Myles de um desfiladeiro. Akio conforta Lara, dizendo que seu amigo não poderia morrer com a queda pois, bem, ele já estava morto. 

Kagan e Lara são inimigos eternos, e Lara sempre sai vitoriosa com a morte ou apreensão de seu rival. Com a Lança dos Sonhos, ele poderia mudar esse destino, mas, para sua infelicidade, Lara consegue derrotá-lo e devolve a lança para o maori (e não para o museu britânico). Akio rapidamente pensa em executar Kagan pelo roubo do artefato, mas Lara o impede. Ela captura o cidadão e fala que, desta vez, lhe concederá a escolha entre trabalhar para ela ou ser novamente preso.

Antes de saírem do submundo, Myles sussurra um último desejo no ouvido de Lara. Meses mais tarde, Kagan, agora estabelecido como subordinado de Lara, um que ainda não conquistou a confiança de sua chefe, descobre o paradeiro do assassino de Myles para que Lara possa finalmente vingar a morte do amigo.

Frente a frente com o assassino, ela relembra da promessa. Nesse momento de hesitação, um guarda-costas a desarma com um tiro no braço. A pistola de Lara, entretanto, cai ao chão, e uma manifestação supernatural de vestígio de moko que havia persistido em sua pele dispara a arma, vingando a morte de Myles para que ele possa descansar em paz.
 
Todas as relações interpessoais moldam as pessoas que somos, e esse vestígio do moko no corpo de Lara simbolizava um traço de Myles. Lara entende que Myles finalmente conseguiu se vingar, sem forçá-la a quebrar a promessa que havia feito. Como Kagan ajudou a controla a situação violentamente, Lara pede para que ele, também, faça o mesmo juramento de nunca mais matar alguém. Ele aceita, mas com a condição de que Lara passe a confiar nele.
 
Para encerrar, Lara visita o túmulo de Myles, para despedir-se de seu amigo mais uma vez.