Reloaded parece existir em um eterno e precário limbo. Apesar de estar essencialmente morto há alguns anos, existem diversas
migalhas de conteúdo perdido espalhadas por aí, portanto julguei pertinente recolher
tudo em uma postagem especial aqui no blog Raider Daze para os 30 anos de Tomb Raider.
Mas, primeiro, quero fazer um rápido recapitulativo de como chegamos até esse
ponto.
O jogo foi revelado em 2020 e estava previsto para ser lançado originalmente no ano seguinte, para coincidir com o 25º aniversário da franquia. Os planos
não se cumpriram e o jogo acabou chegando às nossas telinhas somente em
fevereiro de 2023, e de forma incompleta ainda por cima, com apenas nove capítulos disponíveis no lançamento.
Ainda no decorrer daquele ano, o jogo recebeu dois capítulos adicionais, mas
sequer imaginávamos o que viria a acontecer. Em dezembro de 2023, a manutenção do jogo passou a ser responsabilidade do estúdio
Deca Games. Observando a situação comatosa do jogo desde então (ou seja, os últimos três anos), é seguro dizer que o estúdio não sabe o que
fazer — seja por falta de interesse, de retorno de investimento, de
conhecimento, ou até mesmo de talento.
As atualizações que o jogo recebeu nesse período são bem superficiais e,
quando muito, eles apenas liberaram acesso a itens que já estavam prontos nos
arquivos do jogo, como alguns trajes ou variações de armas. E mesmo isso parece ser algo demasiadamente difícil para eles.
Pois bem, agora vamos conferir algumas das coisas que, muito provavelmente,
perdemos.
Entre os
anúncios das celebrações de 25 anos, a Crystal Dynamics fez questão de destacar que o jogo receberia, durante um
período limitado de tempo na janela de lançamento do jogo, um pacote de vozes
com as atrizes dos anos da Core Design. Ou seja, além da voz padrão de Keeley
Hawes, seria possível alternar a voz da protagonista para a de Shelley Blond,
de Judith Gibbins, ou de Jonell Elliott.
Como isso funcionaria eu não sei dizer, afinal os diálogos existem apenas durante as
poucas cutscenes presentes no jogo
que sequer podem ser reassistidas. Felizmente, o diretor original do projeto, Ed Perkins, havia compartilhado alguns teasers dessas dublagens alternativas, que reuni no
breve vídeo acima, para provar que o conteúdo era real e que, apesar de todos
os pesares, tinha tudo para ser incrível.
Sabemos que essas gravações foram completamente finalizadas e que, portanto, provavelmente estão apodrecendo em algum dispositivo de armazenamento sob tutela da Deca
Games...
E isso é corroborado por meu próximo ponto. Até hoje estamos presos no capítulo 11, o primeiro do Egito, mas as dublagens de Keeley Hawes para as duas cutscenes seguintes foram compartilhadas através de teasers. Eu mantive todos esses arquivos de áudio muito bem guardados em meu HDD dedicado, mas, como a conta que compartilhou já não existe mais e para evitar que esses áudios morram comigo, também decidi montar esses breves vídeos para compartilhar aqui:
Natla escapou com o Scion. Eu devia ter imaginado que ela tinha ligações mais fortes com o artefato do que eu pensava. Para alguém com milhares de anos de idade, a Rainha de Atlântida envelheceu muito bem.
Não culpo ela por sua ambição, mas a visão que ela tem para uma evolução sob esteróides não vai se tornar real. Eu consegui me esconder dentro do bote dela. Não sei para onde estamos indo, mas sei que será o destino final para uma de nós...
Acho que passei bastante tempo em pirâmides por enquanto. O Professor Eddington tinha mencionado algo sobre um de seus colegas italianos estar precisando de ajuda para encontrar uma relíquia cerimonial, que acredita-se estar enterrada em algum lugar abaixo da Grande Muralha da China.
Talvez eu tome a rota cênica no caminho de volta para casa... Faz um tempo desde que eu visitei o Reino do Meio.
Hm... Possíveis sementes da suposta unificação, talvez?
Não temos fatos concretos sobre isso, mas o antigo diretor do projeto havia
dito que
existiam planos
para além da história de Atlantean Scion, e talvez essa referência a Dagger of Xian era uma deixa para
prolongar o suporte ao jogo — caso seu desenvolvimento tivesse acontecido da
forma esperada e o jogo provasse ser rentável o suficiente, claro.
Do jeito que as coisas se desdobraram, sequer temos o terceiro ato completo.
Ícones dos níveis Hidden Oasis, City of Khamoon, e
Obelisk of Khamoon estão nos arquivos do jogo há tempos. Embora não sejam
acessíveis, podemos ter uma breve ideia de sua identidade visual graças ao
portifólio de artistas como Zehra Khan (aqui) e Sandra Batista (aqui,
aqui, e
aqui). Muito provavelmente teríamos um quinto nível no Egito, baseado em
Sanctuary of the Scion, e suspeito que Atlântida por si também seria composta
por cinco níveis.
Outras imagens que encontrei fazendo datamining revelam três relíquias finalizadas mas ainda não disponíveis: um ankh egípcio; um touro minoico; e o próprio Scion. Além disso, uma arte revela que um
evento rotativo
para obter gemas possivelmente chegou a ser considerado, mas é fácil de entender o
motivo pelo qual ele nunca foi disponibilizado.
Entre peças de equipamento não disponíveis, existem
braceletes
avançados de gelo e de trovão — acredito que esses possam ser liberados em algum
evento no futuro, afinal
liberaram o equivalente de fogo no ano passado —;
amuletos
avançados para agilidade, vida, e precisão, mas é difícil imaginar que tipo de vantagem adicional esses poderiam conceder; e, por fim, apenas uma arma, os revólveres, que suspeito que seriam uma segunda variação das pistolas duplas.
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Trajes? Existem trajes adicionais, sim. Uma representação correta da jaqueta laranja de
inverno, como vista nos níveis da Antártida em Adventures of Lara Croft, e a
versão padrão do traje Biker, de Legend. Essa última, inclusive, aparecia nos
trailers do jogo...
Os trailers, aliás, também destacavam Kurtis. Eu não tenho conhecimento algum sobre Archero para determinar como mais NPCs poderiam surgir,
além dos que já estão presentes e devidamente adaptados para Reloaded, mas ele
poderia muito bem ser uma skin jogável ou, ainda, um personagem para um
possível modo cooperativo. Difícil dizer; mas, com certeza, ainda mais difícil para a Deca
tirar do papel...
Em uma dimensão paralela, talvez Reloaded tenha recebido o carinho e a atenção
que merece.






