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sábado, 20 de maio de 2023

Tradução de Down Among the Dead finalizada

Finalmente terminei a tradução do conto Down Among the Dead, publicado pelo jornal The Times em 1999. Ano passado, eu havia feito uma tradução parcial do mesmo, contemplando quatro dos sete capítulos, mas felizmente desdobramentos recentes nos permitiram acesso ao conto completo da autora Erica Wagner.
 
Demorei mais de um mês para traduzir os capítulos faltantes, pois me encontrei em uma extensiva pesquisa sobre o Livro dos Mortos mas, infelizmente, sem muito sucesso. Em compensação, aproveitei e fiz uma revisão integral do conto, corrigindo alguns erros de tradução e reformulando diversos trechos do texto original buscando uma melhor fluidez de leitura em nosso idioma. Tudo sem comprometer o contexto original, é claro.
 

sábado, 8 de abril de 2023

Conto Down Among the Dead resgatado

Mais uma parte da história perdida de Tomb Raider foi resgatada!
 
O forumite Urosh ajudou a localizar os capítulos faltantes do conto Down Among the Dead, publicado semanalmente pelo jornal britânico The Times no final de 1999. Graças ao portal Virtual Lara tínhamos acesso ao primeiro e último capítulos, e, em meados do ano passado, eu e Ahmad, do portal Tomb Raider Arabia, resgatamos outros dois capítulos.

Com a disponibilização das digitalizações do jornal, agora podemos preservar o material em sua forma original. Eu vou trabalhar na tradução dos três capítulos que nos faltavam, dentro dos próximos dias o conto completo poderá ser conferido em português aqui no blog Raider Daze.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Down Among the Dead

Que a Core Design e o jornal britânico The Times haviam feito uma parceria e lançado um nível bônus para The Last Revelation todo mundo sabe, afinal o nível é (devidamente) difundido em virtualmente todo lugar. Mas a colaboração foi muito além disso: na edição de 27 de novembro de 1999, o jornal trouxe um encarte especial dedicado à aventureira intitulado A Girl Called Lara.

Alguns colecionadores possuem uma cópia desse encarte, como é o caso das administradoras do portal Virtual Lara que compartilharam fotos de todas as suas páginas. De maior interesse, em minha opinião, é que entre o conteúdo promovido pelo jornal estava o conto Down Among the Dead. Talvez seja apenas uma fanfic vangloriada, mas é fato que foi publicada em caráter quase oficial.

A história foi dividida em sete capítulos e publicada periodicamente nas páginas do jornal. Esse é o tipo de conteúdo que, infelizmente, se perdeu para o tempo — temo que, a essa altura, já perdemos muito mais do que sequer imaginamos. A autora do texto, Erica Wagner, foi contatada pelas gerentes de comunidade da Crystal Dynamics em algum momento no passado mas, infelizmente, não tinha o artigo completo para compartilhar.

Com um pouco de esforço, encontrei um banco de dados com cópias arquivadas de jornais antigos. A pegada é que apenas parte dos textos pode ser acessada sem o login de uma universidade ou biblioteca associada à plataforma. Agradecimentos ao portal Tomb Raider Arabia por partilhar o mesmo nível de obsessão e resgatar na íntegra os dois capítulos que localizei; agora, somados aos dois que já haviam sido publicados pelo Virtual Lara, temos mais da metade da história.

Apesar de incompleto, decidi fazer uma tradução livre do conto para publicar e arquivar aqui no blog Raider Daze. Com sorte, algum dia conseguiremos os três capítulos faltantes... 
 
[Atualizado em 19/05/2023:] Finalmente posso trazer o conto traduzido em sua totalidade! Além de realizar algumas revisões integrais do texto, tomei a liberdade de reescrever certos segmentos de forma a dar um melhor entendimento à história em nosso idioma. Desfrute! 

[ * * * ]
 
Down Among the Dead
— I —
 
Lara fez a volta ao redor da esquina e, bem como havia suspeitado, o bandido estava esperando por ela. Ela sentiu a adrenalina acelerar até as raízes do cabelo enquanto ele caminhava em sua direção, praguejando, mas ela fintou e pegou o cano de chumbo que havia escondido em suas costas. Ela atacou com toda sua força, mas ele também era rápido e conseguiu esquivar-se a tempo. E, num piscar de olhos, ela estava encarando o tambor de uma arma. Tudo ficou devagar. Ela pôde ver o dedo dele pressionando o gatilho, e ouviu o disparo, feito à queima-roupa, contra o seu peito.
 
"Mas que inferno," Lara resmungou, empurrando o teclado do computador para o lado. Esses jogos eletrônicos eram uma porcaria. De qualquer forma, ela tinha coisas melhores para fazer. Em sua frente estava uma montanha de papéis, livros e arquivos — ela estava os separando, tentando decidir qual seria o assunto de seu próximo livro. Foi Fácil Para Scott: Uma Aventura na Antártida?[1] Rolando por Bornéu? Nada parecia adequado. Ela se levantou e preparou uma xícara de café, olhando pela janela para o jardim da casa estirado abaixo dela. As folhas estavam começando a mudar: suas adoradas rosas haviam fechado e caído, dormentes para mais um inverno. Nessa época, ela sempre preferia sair da Inglaterra em vez de ficar sentada em sua mesa.
 
Bem, talvez existisse uma forma de fazer isso... Ela pegou a carta que havia deixado sobre a mesa no dia anterior. A carta tinha sido enviada, regularmente como em todos os outros anos, por seu padrinho Jeremy, o homem responsável por muitas de suas aventuras.[2] A cada ano, ele a levava em uma viagem diferente, mas o preço da passagem era sempre o mesmo: ela precisava resolver os enigmas que ele apresentava para assim descobrir o ponto de partida. Poderia ser em qualquer lugar do mundo, e o desafio era sempre exigente.
 
O primeiro dos enigmas estava agora em sua frente. Não era difícil para Lara encontrar o interesse em resolvê-lo, mas sua preocupação quanto ao seu próximo passo profissional ainda pairava sobre sua cabeça. Ela não era mais uma garota, afinal, e ela precisava de uma fonte de renda. Ela curtia todo o lance de exploração de tumbas, mas isso não seria o bastante para pagar pela manutenção desse lugar. Ela suspirou e bebeu um gole do café. Enquanto voltava para sua mesa, quase tropeçou em um livro que havia caído de uma pilha nada organizada. Tesouros do Museu de Cairo.[3]
 
Ela se ajoelhou. Ela havia esquecido que possuía esse livro. Ela folheou as páginas, ainda pensando no enigma de Jeremy. A conjunção de ambos parecia um toque de sorte do acaso. Enquanto ela observava as imagens de pedra e ouro, de lazulita e alabastro, tudo fazia com que ela quase pudesse sentir a poeira e a energia do Egito. Ela fechou o livro rapidamente; ela acabara de ter uma ideia.
 
* * *
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Adaptação literária de Angel of Darkness

http://jrmilward.co.uk/
Em dezembro do ano passado, a fã inglesa Jenni Milward ‒  também conhecida como Greenkey2 ‒  publicou, através do Advent Calendar, um ambicioso projeto: uma adaptação literária (não despego mais desse termo) de Angel of Darkness

Da mesma forma que The Lost Cult, este trabalho é escrito todo em primeira pessoa, do ponto de vista de Lara e, da mesma forma, Kurtis. AOD nunca esteve entre os meus jogos preferidos da série e, portanto, é o que eu menos joguei. Mesmo assim, o trabalho conseguiu me fazer relembrar ambientes, cenas e diálogos: minha leitura foi permeada por uma surpreendente nostalgia.

Eu pretendia fazer uma postagem minuciosa destre trabalho, de forma similar às anotações que fiz sobre os livros oficiais, porém, não consegui reunir material o suficiente para isso. É verdade que, em momentos, passa a impressão de um guia de estratégia glorificado, mas o trabalho cumpre ‒  e muito bem ‒  o propósito de narrar a aventura.

Para manter a narrativa constante, a autora tomou certas licenças criativas, a mais notável sendo a inclusão de Margaret, uma persistente voz interior. Isso é válido para Kurtis também: de alguma forma, o Chirugai se apresenta como uma entidade consciente, capaz de projetar observações a seu portador.

O principal intuito da autora, porém, era tentar amenizar alguns problemas que o roteiro sofreu com os inúmeros cortes que o jogo teve. Não são poucas às referências à Putai e o tempo de reclusão de Lara após sua suposta morte no Egito, por exemplo, e até mesmo Luther Rouzic é mencionado. 

Enfim, eu não tenho o costume de ler fanfics, mas pude apreciar esta excelente adaptação e, portanto, recomendo ‒  especialmente para os fãs ardorosos de AOD. 321 páginas.