domingo, 15 de fevereiro de 2026

Ranking de Tomb Raider segundo MetaCritic

No mês passado, eu trouxe ao blog os recordes que a franquia Tomb Raider ostenta, conforme registros no livro Guinness World Records: Gamer's Edition 2026. Em um deles, o livro cita qual jogo possui a melhor média da crítica, e, na ocasião, eu disse que pretendia comentar isso no futuro.
 
Verdade seja dita, esse é o tipo de artigo que, vira e mexe, todo e qualquer portal de notícias decide fazer em busca de engajamento, então é muito provável que você já tenha acessado um artigo similar, seja em tempos recentes ou não. (Mas, de qualquer forma, serve como um bom pretexto para montar uma postagem dedicada aos 30 anos da franquia.)

Sem maiores delongas, vamos ao top 10 de acordo com as médias agregadas pelo MetaCritic:
  1. Tomb Raider (1996): 91
  2. Rise of the Tomb Raider (2015): 88
  3. Tomb Raider (2013): 86
  4. Tomb Raider II (1997): 85
  5. Lara Croft and the Guardian of Light (2010): 85
  6. Lara Croft Go (2015): 83
  7. Tomb Raider: Legend (2006): 80
  8. Tomb Raider: Anniversary (2007): 77
  9. Tomb Raider: Underworld (2008): 76
  10. Tomb Raider III: The Adventures of Lara Croft (1998): 76
Essas médias foram consultadas em 11 de janeiro (peço desculpas pela demora na formulação do artigo; existe uma quantidade limitada de horas livres em cada dia...), mas agora vou tentar explicar os motivos pelos quais você jamais deve considerar essa, ou qualquer outra, uma listagem definitiva.

Em primeiro lugar, é até desnecessário dizer isso, mas opiniões são sempre subjetivas. Independente se é de um jogador casual, de um fã de longa data, ou de um jornalista especializado, uma opinião é formada com base em expectativas e experiências individuais, portanto, não existe uma "opinião correta". O mesmo se aplica aqui, o seu jogo favorito continuará sendo o seu jogo favorito — e o mundo que lide com isso.

Com isso em mente, você deve estar se questionando o motivo para trazer essa listagem ao blog. Existe um ponto crucial e relevante que os portais que buscam engajamento provavelmente não citam: o MetaCritic foi fundado em 2001. Ou seja, todos os jogos da era clássica foram lançados antes do portal sequer existir, então análises publicadas pela mídia especializada — que, na época, em sua maior parte tomava forma de revistas impressas — não são contabilizadas.

Isso é fácil exemplificar: a média de Shadow, o último jogo da série principal, considera 63 críticos, mas, somando-se as diferentes plataformas nas quais o jogo foi lançado, são mais de 150 análises agregadas. TR1, que encabeça o ranking, tem apenas 13 análises tardias — e, francamente falando, se fôssemos contabilizar as notas que o jogo recebia em 1996, a média provavelmente seria mais alta, por fatores como a inegável influência que o jogo teve na transição de jogos de 2D para 3D.

Além disso, em se tratando de nossa franquia em particular, o MetaCritic tem uma lacuna imperdoável: The Last Revelation não possui uma média agregada. É o jogo favorito de muitos dos fãs e, também, o primeiro jogo no qual a Core Design resolveu desenvolver melhor a história do jogo, mas, como expliquei acima, as análises que o jogo recebeu estão presas em revistas ou, talvez, nos portais da época que porventura ainda existam, mas que não foram enviadas retroativamente aos agregadores.
 
Outro ponto que devemos levar em consideração é que existem registros separados para relançamentos e, em alguns casos, até mesmo para os pacotes de DLC. Ou seja, Rise tem uma média levemente mais alta em sua versão 20 Year Celebration quando comparada à primeira edição para Xbox One, e, por algum motivo, Baba Yaga: The Temple of the Witch tem uma página própria. Essa prática é ainda pior no outro agregador (OpenCritic), de tal forma que eu desisti completamente da ideia de compilar uma listagem paralela para calcular as médias entre os dois portais.

Não tenho certeza de qual o impacto que isso pode ter nas médias agregadas, mas, em certos casos, os registros combinam diferentes plataformas: TRU reúne na mesma página as versões de Nintendo DS e Xbox 360, por exemplo, e o próprio TR1 traz análises de sua versão para Android. No primeiro caso, são jogos completamente diferentes entre si; e no segundo, em 2015 a jogabilidade clássica já era considerada defasada pelos padrões da indústria e não se adaptava bem na tela de touchscreen, resultando em notas muito menores do que o jogo recebia em 1996.

Por fim, o número de análises certamente influencia a média. Se um jogo consegue manter uma média alta com um número de análises igualmente alto, significa que há uma certa unanimidade ali — mas, novamente, não deixe de amar Angel of Darkness caso seja seu jogo favorito. Historicamente falando, existe um viés que torna nossa franquia alvo de comentários como "medianos" ou "medíocres", mesmo que nunca seja o caso. Quando um veículo ousa compartilhar uma análise que não seja consistente com outras análises do mesmo jogo, os próprios leitores fazem questão de destacar e rechaçar tal opinião. Vivemos numa sociedade onde o ódio une as pessoas...

Eu ainda não estipulei um formato, mas há tempos pretendo trazer ao blog minha coleção de recortes de revistas. O pretexto do trigésimo aniversário parece o momento ideal para fazer isso, e agora sei que devo dar um destaque especial para as análises que a mídia impressa nacional publicava quando os jogos eram lançados. Tenho certeza que o "ranking" é bem diferente do contido nesta postagem